Ofensiva turca contra curdos na Síria provoca deslocamento de milhares

Afrîn, Síria, 31 Jan 2018 (AFP) - Violentos confrontos estão ocorrendo, nesta quarta-feira (31), em várias localidades de Afrin - o território curdo do norte da Síria - entre o Exército turco e os combatentes curdos, provocando a fuga de milhares de pessoas.

A Turquia continua a ofensiva lançada em 20 de janeiro, apesar dos apelos por moderação. O último deles veio do presidente francês, Emmanuel Macron, que advertiu o governo turco contra qualquer tentativa de "invadir" a Síria.

Com o apoio de milícias sírias da oposição, a Turquia lançou a ofensiva para afastar da fronteira as Unidades de Proteção Popular (YPG). Consideradas "terroristas" pelo governo, elas são aliadas dos Estados Unidos na luta contra os extremistas.

Hoje pela manhã, os aviões turcos sobrevoaram a cidade de Afrin, cujos arredores continuam bombardeando intensamente, constatou a AFP.

Os combates acontecem no norte e no oeste da região, com uma importante atividade da artilharia e da aviação turcas, indicou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

"Os combates mais violentos se concentram nos setores de Cindirese e Rajo", duas localidades do noroeste e do sudeste de Afrin, relatou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Os combates já obrigaram cerca de 15 mil pessoas a se deslocarem para outras zonas de Afrin, e outras mil buscaram abrigo em Aleppo, afirmou a subsecretária-geral da ONU encarregada de Assuntos Humanitários, Ursula Mueller.

- Vítimas civis -Nesta quarta, dezenas de feridos oriundos das localidades bombardeadas continuavam chegando ao principal hospital da cidade de Afrin.

"Todo o mundo sabe que morrem civis", afirma um senhor, com cabeça e mãos enfaixadas.

"Um menino de três anos e outro de nove meses", menciona, lamentando as perdas de sua família.

"Somos os Daesh de Afrin", ironiza, usando o acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico (EI).

Uma família de quatro pessoas foi ao hospital para recuperar o corpo do patriarca de 80 anos. Uma mulher chorava com a cabeça apoiada no caixão.

A Turquia nega os ataques a civis e insiste em que bombardeia apenas as posições militares das YPG.

O Exército turco e os rebeldes sírios que o acompanham na ofensiva "não fizeram nenhum mal aos civis", garantiu ontem o ministro turco da Defesa, Nurettin Canikli, no Parlamento.

Nesta quarta, um adolescente de 17 anos morreu na cidade turca de Reyhanli, vítima de um foguete disparado do norte da Síria, anunciou o prefeito da localidade.

O disparo foi efetuado pelas YPG, afirmou a agência estatal de notícis turca Anadolu.

Desde o início da ofensiva, quatro pessoas morreram, vítimas dos disparos de foguetes de Afrin.

A intervenção em Afrin foi antecipada, após o anúncio da criação de "uma força fronteiriça" com milicianos das YPG e apoiada pela coalizão internacional anti-extremista liderada pelos Estados Unidos.

A Turquia nunca aceitou a autonomia "de facto" conquistada pelos curdos no norte da Síria desde o início da guerra. Nesse sentido, o governo turco teme um contágio às zonas da Turquia povoadas majoritariamente por curdos.

Desde 20 de janeiro, data do início da ofensiva, 85 combatentes curdos e 81 rebeldes sírios favoráveis à Turquia morreram, indicou o OSDH, que registra ainda 67 baixas civis, incluindo 20 crianças, pelos bombardeios da Força aérea turca. Já o governo relata sete soldados mortos.

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