Momentos-chave da crise venezuelana

Caracas, 21 Fev 2018 (AFP) - A oposição venezuelana, afetada por divisões e derrotas eleitorais, decidiu não participar das eleições presidenciais de 22 de abril, no último episódio da longa crise no país petroleiro.

Confirma os momentos-chave da disputa política.

- 2013: Presidência impugnada -O líder socialista Hugo Chávez, presidente desde 1999 e fundador da "revolução bolivariana", morre de câncer em 5 de março de 2013.

Nicolás Maduro, ungido por Chávez como seu substituto, ganha as presidenciais em 14 de abril com 50,62% dos votos, apenas 1,5 ponto acima do opositor Henrique Capriles, que contestou a apuração.

- 2014: O primeiro desafio -Em 2014, liderada por Leopoldo López, a oposição realiza manifestações para exigir a saída de Maduro, com um balanço de 43 mortos.

López é detido em fevereiro desse ano e condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão, acusado de incitar a violência nos protestos. Em agosto de 2017, ficou sob prisão domiciliar.

Os preços do petróleo, que geram 96% das divisas, caíram a menos da metade, agravando uma forte escassez de alimentos e remédios.

- 2015: A maior derrota do chavismo -Em fevereiro de 2015, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspirar contra o governo, é preso. Pouco depois passa à prisão domiciliar e em 2017 foge para a Espanha.

Em março, Washington impõe as primeiras sanções contra funcionários do governo venezuelanos, que acusa de violar os direitos humanos.

Em dezembro, em meio ao agravamento da crise, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) inflige ao chavismo a maior derrota eleitoral de sua história, ao ganhar a maioria qualificada do Parlamento.

- 2016: Um referendo frustrado - Após a oposição assumir seu controle em janeiro, o Legislativo foi declarado em desacato e suas decisões foram anuladas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Durante quase todo 2016, a oposição tentou revogar o mandato de Maduro - de seis anos - através de um referendo, e organizou manifestações para exigir isso.

Mas o poder eleitoral e a justiça - acusados pela oposição de servir a Maduro - o frearam, alegando fraude na coleta de assinaturas para solicitá-lo.

- 2017: Protestos e Constituinte -Em março, o TSJ se atribui faculdades do Parlamento e em 1º de abril começam os protestos que duraram quatro meses e deixaram 125 mortos. A procuradora-geral, Luisa Ortega, denunciou uma ruptura da ordem constitucional. Meses depois, abandonou o país denunciando "perseguição".

O governo conseguiu a eleição de uma Assembleia Constituinte de plenos poderes em 30 de julho, pondo fim aos protestos. A oposição boicotou as eleições.

Integrado só por governistas, esse órgão, não reconhecido por parte da comunidade internacional, substituiu na prática o Parlamento.

Os Estados Unidos aprovam sanções econômicas contra a Venezuela e a petroleira estatal PDVSA, declarados depois em moratória parcial.

O chavismo vence nas eleições de governadores de outubro e nas municipais de dezembro. A oposição denunciou que foram fraudulentas.

- 2018: Eleições antecipadas -Em janeiro, a Constituinte convocou eleições presidenciais adiantadas para antes de 30 de abril, ante uma oposição dividida e debilitada.

Uma semana depois, Maduro é proclamado candidato do governo.

As negociações entre a oposição e o governo sobre garantias eleitorais fracassam e o poder eleitoral fixa as eleições para 22 de abril.

A MUD se coloca à margem das eleições, neste 21 de fevereiro, alegando que são "fraudulentas" e buscam dar "aparência de legitimidade" ao governo.

Maduro adverte que buscará a reeleição mesmo que sem oponentes e pediu à Constituinte o adiantamento das parlamentares para 22 de abril.

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