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Governo e caminhoneiros chegam a acordo para acabar com greve

24/05/2018 22h26

Brasília, 25 Mai 2018 (AFP) - O governo do presidente Michel Temer e os sindicatos dos caminhoneiros chegaram nesta quinta-feira a um acordo para suspender, por 15 dias, a greve que afeta o fornecimento de gasolina, alimentos e outros gêneros em vários estados do Brasil.

Os líderes sindicais "se comprometem a suspender o movimento grevista por 15 dias, quando será realizada uma nova reunião com o governo", anunciou Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil de Temer.

O governo se comprometeu a suprimir ao menos um imposto sobre o diesel e implantará um sistema de subvenções para manter a redução de 10% no preço do diesel anunciada na véspera pela Petrobras, que excepcionalmente congelou este valor durante os próximos 15 dias.

O anúncio da trégua foi feito conjuntamente por sindicalistas e ministros no Palácio de Planalto após mais de sete horas de reuniões a portas fechadas.

O presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, deixou a reunião mais cedo, afirmando que seu grupo não concorda com a trégua solicitada pelo governo.

Os bloqueios de estradas afetaram 26 dos 27 estados brasileiros (a única exceção foi o Amapá), com dezenas de piquetes em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Filas em frente aos postos de gasolina, aeroportos com reservas de combustível em níveis mínimos, a disparada dos preços dos combustíveis e dos alimentos, a interrupção da produção em fábricas de automóveis, milhares de litros de leite derramados pela impossibilidade de chegar aos locais de produção e fechamento de escolas foram algumas das consequências da greve.

As ações da Petrobras caíram cerca de 14% na Bolsa de São Paulo, um dia depois de a companhia ter aceitado reduzir em 10% o valor do diesel por duas semanas para facilitar o diálogo.

O aeroporto internacional de Brasília só permitiu, nesta quinta-feira, o pouso de aviões com combustível suficiente para decolar e racionou o combustível restante, que deveria durar apenas até amanhã.

Vários frigoríficos cessaram as suas atividades, o que afetou uma indústria fundamental em um país que é potência de exportação agrícola.

A Fiat suspendeu sua produção e distribuição de veículos em suas fábricas de Minas Gerais e Pernambuco, informou a companhia.

Em Minas Gerais, mil litros de leite foram jogados fora diariamente por causa dos problemas de transportes, segundo o Sindicato da Indústria Láctea.

O porto de Santos, o maior da América Latina, praticamente não registrou entradas e saídas de caminhões nos últimos três dias, mas as operações de carga e descarga de navios permaneciam normais", informou a administração.

Em Brasília, as autoridades decretaram feriado escolar na sexta-feira.

O medo de desabastecimento gerou longas filas nos postos de gasolina, e muitos deles ficaram sem combustível ao longo do dia. Onde ainda havia gasolina, o litro ultrapassava os 5 reais (cerca de 1,4 dólares), bem acima dos 4,215 do final de abril. Em alguns casos chegou a 7 reais.

O brasileiro comum sente o impacto nos aumentos de preços de todos os tipos de produtos.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) anunciou medidas para facilitar a distribuição de combustíveis e combater os preços abusivos.

A população também sentiu o impacto no aumento dos preços de outros produtos, como frutas e hortaliças. Ainda assim o movimento contou com certo apoio popular.

"Acho que isso acontece por uma má gestão do governo federal, uma má gestão com todos esses casos de corrupção", disse Ana María Lobo, de 54 anos, aguardando sua vez em um posto de gasolina de São Paulo.

Os caminhoneiros condicionavam o fim da greve à aprovação de uma iniciativa votada na quarta-feira pela Câmara dos Deputados para suspender, até o final do ano, a cobrança do PIS e do Cofins sobre o diesel.

O corte dos impostos foi articulado pela maioria do governo no Congresso, mas isso gerou resistências dentro do próprio governo, comprometido com um plano de ajuste fiscal para estimular o fraco crescimento econômico.