Colômbia, um país a caminho da paz, mas castigado pelo narcotráfico

Bogotá, 25 Mai 2018 (AFP) - A Colômbia celebrará eleições presidenciais no domingo (27), com o candidato da direita Iván Duque, de 41 anos, favorito nas pesquisas, disputando o favoritismo do eleitorado com o esquerdista Gustavo Petro.

- Mais de meio século de conflito - Em 24 de novembro de 2016, o presidente Juan Manuel Santos e o chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", assinaram um histórico acordo de paz para acabar com mais de 50 anos de confrontos.

O conflito, que envolveu dezenas de guerrilhas, milícias paramilitares de extrema direita e as forças de ordem, deixou mais de 260 mil mortos, cerca de 83 mil desaparecidos e 7,4 milhões de deslocados neste país de 48,6 milhões de habitantes.

Um dos mais golpes mais lembrados das Farc, criadas em 1964 após uma insurreição camponesa, foi o sequestro da candidata à Presidência Ingrid Betancourt, liberada em 2008 depois de mais de seis anos em cativeiro.

Além do desarmamento da guerrilha mais poderosa da América, que agora se tornou um partido político sob o nome de Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), o acordo de paz prevê reformas políticas, rurais, uma justiça de paz especial e a indenização das vítimas do conflito.

Enquanto isso, as conversas de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), iniciadas há um ano, foram congeladas pelo governo após uma série de atentados executados pela última guerrilha ativa do país.

- Primeiro produtor de cocaína -A Colômbia é o primeiro produtor mundial de folhas de coca, matéria-prima da cocaína, com 146 mil hectares de plantações. Também é o maior produtor de cocaína, com 866 toneladas em 2016, segundo a ONU.

Após a aplicação do acordo com as Farc, os homicídios nas zonas de cultivo de coca aumentaram 11% em 2017, chegando a 39,5 a cada 100 mil habitantes. Dissidentes das FARC, o ELN e gangues agora disputam esses territórios.

O presidente lançou em maio um programa de substituição de 50 mil hectares de plantações de coca em 12 meses em troca de um ano de subvenções e dois anos de assistência técnica. Além disso, a Colômbia espera erradicar à força 50 mil hectares adicionais.

- Imigrantes venezuelanos -A Colômbia enfrenta a chegada maciça de venezuelanos que fogem da crise política, econômica e humanitária de seu país.

Nos últimos dois anos, chegaram ao país fronteiriço 762.000 venezuelanos, e 518.000 deles pretendem se instalar ali.

Em fevereiro, as autoridades colombianas impuseram controles adicionais na fronteira com a Venezuela.

- Crescimento lento -Devido à lenta recuperação dos preços do petróleo e ao aumento dos impostos, a quarta economia da América Latina registrou em 2017 seu pior crescimento em quase uma década (+1,8%). Desde a chegada de Santos à Presidência, em 2010, o país registrou um crescimento médio de 3,85%.

O governo estima que o custo do acordo de paz com as Farc seja de 44 bilhões de dólares em 15 anos, dos quais 37,4 bilhões serão destinados à reforma rural.

O país é o principal produtor de esmeraldas do mundo.

Em 2016, 28% da população vivia abaixo do limite da pobreza, de acordo com o Banco Mundial.

- Café -A Colômbia, país do vencedor do Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, é o principal produtor de café de qualidade do mundo. O país registrou no ano passado uma colheita de 14,2 milhões de sacos de 60 quilos.

Terceiro produtor do grão, atrás do Brasil e do Vietnã, o país tem 931.000 hectares de cultivos.

A atividade representa um dos principais setores de exportação, atrás do petróleo e da mineração.

Mas enfrenta vários desafios como a mudança climática e a queda do preço do grão.

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