Paralisia política na Itália permanece

Roma, 27 Mai 2018 (AFP) - A paralisia política seguia neste domingo (27) na Itália, onde o primeiro-ministro Giuseppe Conte ainda não formou governo quase três meses depois das eleições.

Os partidos antissistema italianos, de um lado, e o presidente Sergio Mattarella, de outro, permanecem entrincheirados em suas posições, e nada indica que se vá encontrar uma saída antes da reabertura dos mercados, na segunda-feira.

O principal obstáculo é a recusa de Mattarella a nomear Paolo Savona, de 81 anos, um conhecido eurocético, como ministro das Finanças, seguindo a proposta de Conte. Na Itália, o chefe de Estado nomeia o presidente do Conselho (primeiro-ministro) e os ministros propostos por este último.

A recusa irrita Matteo Salvini, líder da Liga (extrema direita), que, junto com Luigi Di Maio, líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S, antissistema), levou Conte para a presidência do Conselho.

Salvini não está disposto a ceder e ameaça voltar às urnas.

"Ou o governo começa a trabalhar nas próximas horas, ou será melhor voltar a votar e conseguir a maioria absoluta", disse a seus simpatizantes, no sábado (26), perto de Bérgamo, ao norte do país.

Neste ponto, ele conta com o apoio de Di Maio.

"Já perdemos muito tempo. Ou fecha isso em 24 horas (...) ou deixa cair", declarou, também no sábado, em um comício de seu movimento, em Terni, no centro.

Essa determinação não parece preocupar Mattarella, que defende a Constituição e as prerrogativas do presidente. Sua demora está relacionada a seu desejo de que a Itália continue respeitando seus compromissos europeus.

"Permaneçam ao nosso lado. Temos gente contra nós nas camadas superiores, mas outros nos apoiam", declarou Di Maio a seus simpatizantes.

O chefe de Estado italiano espera agora que Conte lhe apresente sua lista de ministros. Eles devem se reunir ainda hoje, às 19h locais (14h, no horário de Brasília). Conte já seguiu para a Câmara dos Deputados para realizar as últimas tratativas antes de fechar a lista que será levada para a reunião com o presidente.

Se incluir o nome de Savona, Mattarella deve confirmar sua negativa, segundo a maioria dos comentaristas italianos, obrigando Conte a renunciar.

O presidente então designaria um novo presidente do Conselho, mas desta vez sem buscar a aprovação dos ganhadores das legislativas de 4 de março, para formar um "governo do presidente".

Em outras palavras, um governo técnico, que, de qualquer modo, não obteria maioria no Parlamento, nas mãos do M5S e da Liga. Esse Executivo estaria encarregado, assim, de administrar os assuntos correntes até as eleições, provavelmente no final do ano.

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