Malinês que escalou prédio para salvar criança obtém visto de residência na França

Paris

  • Thibault Camus/Pool via Reuters

O jovem imigrante ilegal do Mali que ganhou fama ao escalar um prédio para salvar uma criança em Paris recebeu nesta terça-feira (29) um visto de residência, o primeiro passo antes de obter a nacionalidade francesa prometida pelo presidente Emmanuel  Macron.

Depois de receber a permissão das mãos do prefeito do departamento de Seine Saint-Denis, na periferia norte de Paris, Mamoudou  Gassama, de 22 anos, assinou um contrato de 10 meses para realizar um serviço cívico no Corpo de Bombeiros de Paris, pelo qual receberá 600 euros por mês.

Gassama deixou a prefeitura Bobigny, onde apresentou o seu pedido de regularização, a bordo de um carro dos bombeiros, indicou Pierre-André  Durand, prefeito do departamento de Seine Saint-Denis.

"Estava animado, é normal", comentou o prefeito, que voltou a elogiar o gesto do jovem imigrante ilegal recebido na segunda-feira por Emmanuel  Macron.

"Como pode alguém não ter se impressionado com o que ele fez?", questionou o prefeito. "Ele ajudou alguém em perigo, algo que não é muito comum em nossa sociedade", considerou.

Mamoudou  Gassama, que chegou à França em setembro, deverá receber dentro de um mês um visto de residência de 10 anos para depois ser naturalizado francês, num prazo de três meses.

O jovem malinês foi saudado como um "herói" na França depois da divulgação de um vídeo, visto por milhões de pessoas, mostrando como ele escalou sem pensar quatro andares de um edifício em Paris depois de ver uma criança em perigo, pendurada na sacada.

Seu ato de bravura lhe rendeu um encontro com Macron, que propôs naturalizá-lo francês.

A família da criança salva agradeceu Mamoudou  Gassama nesta terça-feira.

A avó paterna, que assim como a mãe da criança vive na Ilha da Reunião, declarou à rádio RMC que "ficou muito emocionada" com as imagens do resgate. "É realmente um herói (...) Ele não ficou olhando e esperando, salvou meu pequeno", afirmou.

O pai do menino, que morava sozinho com ele em Paris, o deixou sozinho em casa para fazer compras, segundo os investigadores franceses. A polícia o prendeu na segunda-feira por não cumprir com suas obrigações parentais.

O Ministério Público de Paris indicou que o homem admitiu sua culpa e expressou "profundo arrependimento".

Dado o interesse despertado pelo ato do jovem, associações de apoio aos imigrantes denunciaram a "hipocrisia" e o "uso político descarado" deste evento.

Segundo o governo, há cerca de 300 mil imigrantes sem documentos no país, o que seria muito mais, segundo as associações. Em 2017, 30 mil foram regularizados.

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