'Não soubemos ouvir e reagir a tempo', diz Papa aos chilenos

Santiago, 31 Mai 2018 (AFP) - "Envergonhado, devo dizer que não soubemos ouvir e reagir a tempo" frente aos abusos sexuais dentro da Igreja, reconheceu o Papa Francisco em carta dirigida aos chilenos nesta quinta-feira, após uma avalanche de denúncias.

No texto, o Papa pede ao povo chileno que promova "conjuntamente uma transformação eclesiástica que envolva a todos, para pôr fim a uma cultura do abuso" que permeou por anos a Igreja chilena, envolvida em uma avalanche de denúncias de abuso sexual.

"O 'nunca mais' à cultura do abuso, bem como ao sistema de encobrimento que permitiu que a mesma se perpetuasse, exige um trabalho entre todos para gerar uma cultura do cuidado que fique impregnada em nossas formas de nos relacionar", diz o pontífice na longa carta, divulgada pela Conferência Episcopal chilena durante uma entrevista coletiva em Santiago.

O pontífice reconheceu que "aprender a ouvir" é uma das principais lacunas e omissões da Igreja neste caso, que levou a serem construídas conclusões parciais frente a uma série de denúncias não levadas em conta antes pelo clero chileno. "Envergonhado, devo dizer que não soubemos ouvir, nem reagir."

"Certamente, não se agiu com rapidez para investigar, para responder e punir os responsáveis", disse o bispo auxiliar de Santiago e secretário-geral da Conferência Episcopal chilena, Fernando Ramos.

O Papa confirmou uma nova viagem ao Chile dos sacerdotes Charles Scicluna e Jordi Bertomeu, que estiveram em fevereiro em Santiago para ouvir as vítimas de abusos sexuais e de encobrimento do crime.

Para o próximo fim de semana, o Papa convidou ao Vaticano um grupo de nove sacerdotes e laicos vítimas de abusos de "consciência" no interior da igreja de El Bosque, no leste de Santiago. Com este encontro, o pontífice encerrará uma série de reuniões destinadas a pôr fim à "cultura de abusos" gerada durante anos no interior da Igreja Católica chilena, e tomará medidas "a curto, médio e longo prazo" para reparar o dano causado.

"Este processo tem sido muito doloroso para nós, muito questionador, mas também está nos ajudando a fazer todo o necessário para que não se repitam os erros e omissões, que também causam muita dor", assinalou Ramos.

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