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Assassinato de bispo cristão abala a comunidade copta no Egito

22/08/2018 12h41

Cairo, 22 Ago 2018 (AFP) - Dois monges são acusados de ter matado um bispo em um mosteiro, um assassinato que abalou a comunidade copta do Egito, já alvo de inúmeras ameaças.

A vítima se dirigia ao mosteiro copta de São Macário, em Wadi Natrun, 80 km do Cairo. Foi onde supostamente em julho os dois monges coptas atacaram o bispo Epiphanius, de 68 anos.

Isaiah al Makari o atingiu três vezes na cabeça com uma barra de ferro e Philotheos al Makari assistiu a cena sem impedi-la, segundo as acusações que pesam sobre os dois religiosos, citados por seus nomes eclesiásticos.

Os coptas constituem a comunidade cristã mais numerosa do Oriente Médio.

No Egito, representam 10% da população. Sua presença no governo é escassa e eles se sentem marginalizados, além de serem alvo da violência, agravada pelo auge dos jihadistas.

"O assassinato de um bispo por dois monges no mosteiro propagará uma onda expansiva na comunidade", afirma Samuel Tadros, analistas do instituito Hudson, em Washington.

Segundo ele, os membros do clero copta "são como padres".

- "Rancor" -As causas do assassinato continuam sendo um grande mistério.

Isaiah al Makari (seu nome civil é Wael al Saad) confessou o crime e o atribuiu a "desacordos", afirmou o promotor sem dar detalhes.

O acusado já havia sido alvo de punições disciplinares e, depois da descoberta do corpo, foi obrigado a largar o hábito.

Os dois monges se encontram detidos.

"Sabemos muito pouco. A Igreja e as instituições oficiais não fizeram muitos comentários", afirma Shady Lewis Botros, pesquisador egípcio. "O rancor pessoal é uma explicação perfeitamente plausível".

A Igreja recorda que a investigação está nas mãos da justiça. O papa copta ortodoxo Teodoro II classificou o fato de crime e insiste que não se pode encobrir "atos repreensíveis".

O assassinato deixou à vista os desacordos e as lutas pelo poder no interior da Igreja copta.

O bispo Epiphanius dedicava-se exclusivamente aos temas espirituais e questionava o legado do ex-chefe da Iglesia.

Mas as disputas internas ultrapassam as discrepâncias dogmáticas.

"A maioria dos conflitos se limitam a temas de lealdade, de poder, de prestígio ou financeiros", explica Shady Lewis.

"O dogma desemprenha um papel, é claro, mas o essencial continua sendo a luta pelo poder no interior da Igreja".

Por influência de Teodoro II, os dirigentes eclesiásticos tomaram uma série de medidas dsde o crime: suspensão por um ano da entrada de novos monges, reforços do controle financeiro e proibição do novo clero de se manifestar em redes sociais.

Teodoro II suprimiu sua conta no Facebook.

- Ameaças -Segundo o intelectual copta Jawal Assad, os responsáveis pela Igreja deveriam empreender reformas.

"Durante o funeral do bispo, o papa Teodoro II recordou aos monges que não devem obedecer essa ou aquela pessoa e que, acima de tudo, são membros de um mosteiro", explica.

Como outras minorias egípcias, os representantes coptas expressaram seu apoio a Abdel Fattah al Sissi, que derrubou o presidente islamita Mohamed Mursi em 2013, quando era chefe das forças armadas do país.

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