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'Lenços vermelhos' surgem contra os 'coletes amarelos' na França

25/01/2019 14h10

Paris, 25 Jan 2019 (AFP) - O movimento dos "lenços vermelhos", farto da violência e distúrbios durante as manifestações dos "coletes amarelos" franceses, se mobiliza neste domingo em uma marcha em Paris como porta-voz da maioria silenciosa na França.

Em sua página no Facebook "STOP. Agora já chega", Laurent Soulié, de 51 anos, lançou a ideia dessa marcha em meados de dezembro, quando percebeu que o movimento dos "coletes amarelos" não iria parar.

Simpatizante do partido presidencial A República em Marcha (LREM), Soulié tenta convencer sobre a natureza "apolítica" dessa mobilização, que "deve liberar a palavra de uma França que se esconde e se cala há dez semanas", desde que o movimento de protesto dos "coletes amarelos" começou.

Soulié considera que esta iniciativa é uma "mão estendida" aos "coletes amarelos" que devem parar as manifestações "incontroláveis e descontroladas".

Desde 17 de novembro, 10 pessoas morreram, principalmente em acidentes causados por bloqueios em estradas. Mais de 2.000 pessoas, incluindo manifestantes e forças de segurança, ficaram feridas.

- 'Final de mês difícil' -Eddy Frogeais, de 49 anos, pai de dois filhos e que vive "um final de mês difícil", tem "o perfil de um colete amarelo".

Mas ele nunca participou neste movimento. "Obrigar as pessoas a usar colete amarelo para poder passar pelos pontos de bloqueio, impor a assinatura de uma petição ou ser incomodado por não pensar como um 'colete amarelo', são coisas que me chocam em uma república, em uma democracia", diz ele.

"Os 'coletes amarelos' organizam as coisas à margem, sempre à margem, como se não reconhecessem o direito das instituições", lamenta.

O presidente Emmanuel Macron lançou um "debate nacional", e por essa razão Eddy Frogeais quer uma "trégua" nas manifestações para a "instauração de um diálogo".

Desde que se juntou aos "lenços vermelhos", Caroline Garcin se cansou de numerosos amigos e decidiu "não falar sobre política" com sua mãe e irmão. Esta enfermeira de 41 anos sofre de surdez quase total e vive hoje graças a uma pensão por invalidez.

Seu compromisso com os "lenços vermelhos" nasceu depois de um ataque verbal que sofreu em uma rotatória, em novembro passado, porque não usava um colete amarelo. "Eu tive a impressão de estar sozinha no mundo diante de um muro de ódio".

Com os "lenços vermelhos" ela afirma ter encontrado uma "França acordada e respeitosa".

Caroline Garcin "compreende as reivindicações dos 'coletes amarelos' e seu sentimento de injustiça fiscal e social", mas recusa-se a ser "refém" e não aceita "o linchamento ou assassinato da polícia".

- 'Não são o povo' -Serge, um ex-empresário que "saiu do nada", quer "mostrar que há outro tipo de franceses".

"Os coletes amarelos não são o povo, são uma enorme fraude", diz o aposentado de 72 anos.

Convencido de que o governo é sincero, Serge diz que apoia a política de Macron. "Ele certamente cometeu erros, mas está no caminho certo".

Serge diz "entender aqueles que estão socialmente em níveis mais baixos, com problemas financeiros", mas agora quer o "restabelecimento da ordem": "Eu não compartilho de maneira alguma essa maneira de proceder, de demolir e quebrar tudo...".

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