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Internacional

Justiça americana acusa Huawei por roubo de tecnologia e violação de sanções ao Irã

29/01/2019 11h19

Washington, 29 Jan 2019 (AFP) - A Justiça dos Estados Unidos acusou formalmente o grupo chinês de telecomunicações Huawei e sua diretora financeira, em dois processos que devem aumentar a tensão entre Washington e Pequim.

O Departamento de Justiça americano anunciou na segunda-feira 13 acusações por suposta violação às sanções dos Estados Unidos ao Irã contra a empresa chinesa e sua diretora financeira, Meng Wanzhou. Ela foi detida no Canadá em dezembro a pedido de Washington.

Ao mesmo tempo, os EUA acusaram duas filiais da Huawei de associação ilícita para roubar segredos industriais - tecnologias de celulares - da americana T-Mobile em sua sede em Bellevue, no estado de Washington.

Para os engenheiros da Huawei, a acusação diz respeito ao robô "Tappy", idealizado pela T-Mobile para reproduzir um dedo humano e, assim, testar aparelhos celulares.

As duas filiais, Huawei Device Co. Ltd. e Huawei Device Co. USA, receberam dez acusações por fatos relativos ao período 2012-2014, incluindo uma suspeita de obstrução de Justiça.

Os indiciamentos "expõem as ações descaradas e persistentes da Huawei para explorar empresas e instituições financeiras americanas e para ameaçar o mercado global livre e justo", afirmou o diretor do FBI, Christopher Wray.

O Ministério chinês das Relações Exteriores acusou o governo americano de "manipulações políticas". Periodicamente Pequim acusa Washington de tentar prejudicar o crescimento de suas empresas de tecnologia.

Em um comunicado, a Huawei negou que o grupo, alguma de suas filiais, ou empresas afiliadas tenham cometido as supostas violações da lei americana citadas em cada uma das acusações.

A empresa afirma que "não tem conhecimento de atos condenáveis por parte de Meng e está convencida de que os tribunais americanos chegarão à mesma conclusão".

- Extradição e demissão -A detenção no início de dezembro em Vancouver de Meng Wanzhou, filha do fundador do grupo, provocou uma crise diplomática.

Em liberdade condicional, a diretora financeira deve comparecer a um tribunal canadense em 6 de fevereiro como parte do processo de extradição iniciado pelos Estados Unidos.

Washington confirmou que apresentará um pedido formal de extradição até a data-limite de 30 de janeiro.

No que foi interpretado como uma represália, pouco depois a China prendeu dois canadenses, e um tribunal chinês condenou um terceiro cidadão desse país à morte.

A crise diplomática com Ottawa levou o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, a demitir o embaixador do país na China, John McCallum, após comentários controversos do diplomata sobre o processo de extradição de Meng Wanzhou.

A Huawei é alvo de suspeitas em vários países ocidentais, o que levou o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, a denunciar na semana passada uma campanha internacional "injusta e imoral".

- "Estrangular" -Vários países excluíram a empresa chinesa do desenvolvimento da tecnologia 5G, com direito a questionamentos sobre segurança diante de suspeitas de espionagem. O grupo nega com veemência.

Pequim acusou Washington de utilizar "o poder do Estado para desacreditar e atacar determinadas empresas chinesas, em uma tentativa de estrangular suas operações, que são legítimas e legais".

Nos últimos meses, o governo do presidente Donald Trump iniciou uma ofensiva contra a China, acusando o país de roubo de tecnologia, de "belicismo em relação aos vizinhos" e até de desenvolver um "Estado totalitário".

As acusações surgem como pano de fundo da guerra comercial entre Estados Unidos e China, iniciada por Trump com tarifas de importação.

Novas negociações comerciais devem ser retomadas esta semana em Washington. Na capital americana, Trump deve se encontrar com o vice-primeiro-ministro Liu He, que lidera a delegação chinesa e desembarcou nos EUA na segunda-feira.

As acusações contra a Huawei "não têm nada a ver com nossas negociações comerciais com a China", desconversou o secretário americano do Comércio, Wilbur Ross.

Pouco depois, no entanto, destacou que sua pasta continuará trabalhando com o restante do governo para "proteger os interesses de segurança nacional".

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