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Theresa May planeja submeter pela quarta vez acordo do Brexit aos deputados

Reuters
Imagem: Reuters

Em Londres

30/03/2019 11h33

A primeira-ministra britânica Theresa May planejava hoje apresentar pela quarta vez o acordo de retirada da União Europeia, para evitar uma ruptura súbita, sem acordo, da UE, em 12 de abril.

O texto foi rejeitado ontem pelos deputados por 344 votos contra 286, uma margem menor do que nas duas votações anteriores.

"A posição do governo é que achamos que a melhor maneira de respeitar o referendo é implementar o acordo", declarou neste sábado à BBC o presidente do Partido Conservador, Brandon Lewis.

A adoção do texto deve permitir que o Reino Unido deixe a UE com um período de transição até o final de 2020, a fim de evitar uma ruptura abrupta de uma união de 46 anos.

Vários deputados eurocéticos, como Boris Johnson, Jacob Rees-Mogg ou Dominic Raab, finalmente apoiaram o acordo.

"Pelo menos estamos indo na direção certa", disse Theresa May a repórteres na sexta-feira.

Os eurodeputados devem estudar na segunda-feira cenários alternativos, após fracassar na quarta-feira em reunir uma maioria sobre oito opções apresentadas.

Aos eurodeputados, Theresa May assegurou na sexta-feira que continuará a "advogar por um Brexit ordenado", mas também reconheceu a necessidade de chegar a um acordo sobre um "caminho alternativo".

Segundo vários jornais britânicos, Downing Street planeja propor aos deputados uma única escolha: ou votam o acordo de May, ou um projeto alternativo que angariar o apoio dos deputados na segunda-feira e que favoreceria uma Brexit mais suave que o texto atual.

A chefe do governo espera convencer os eurocéticos de seu partido conservador de votar pelo acordo de retirada, que eles rejeitam até agora porque consideram que não corta os laços suficientes com a UE.

Quase três anos após o referendo de junho de 2016, em que o "Leave" venceu por 52% dos votos, o Parlamento continua muito dividido e o sentimento de frustração domina a população.

Para romper o impasse, a deputada conservadora e ex-ministra Nicky Morgan falou da ideia de um "governo de unidade nacional", uma hipótese rejeitada por Brandon Lewis, que estimou que "não muda a aritmética parlamentar".

Risco de um "No deal"

Por seu lado, os eurocéticos pressionam para que o Reino Unido deixe a UE, mesmo sem acordo. Milhares de manifestantes pró-Brexit, agitando bandeiras britânicas, se reuniram em Londres na sexta-feira, dia em que o país deveria abandonar o bloco europeu.

Sem um acordo aprovado pelo Parlamento, um "no deal" (saída sem acordo) em 12 de abril, suposição que preocupa os meios econômicas, continua a ser o cenário mais provável, advertiu Theresa May.

A possibilidade de "no deal está crescendo", declarou o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar. A rejeição do acordo "aumenta muito o risco de uma saída sem acordo", reagiu igualmente a presidência francesa, chamando os britânicos a "apresentar nos próximos dias um plano alternativo (eleições legislativas, referendo, união aduaneira...)".

Para evitar essa saída abrupta, Theresa May poderia se resignar a pedir um novo adiamento, de duração mais longa, mas que a forçaria a organizar eleições europeias no final de maio.

Uma cúpula europeia especial foi convocada em 10 de abril.

De acordo com o tabloide The Sun, 170 deputados conservadores, incluindo uma dúzia de ministros, escreveram à chefe de governo para exigir que o Reino Unido saia rapidamente da UE e não participe nas eleições europeias.

Brandon Lewis confirmou que estava ciente dessa carta, que ele mesmo "não assinou". "Devemos fazer tudo o que pudermos para deixar a UE de maneira ordenada o mais rápido possível", disse ele à BBC, acrescentando que "o acordo é o caminho para isso".

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