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Populistas de extrema direita sob pressão a três dias das eleições europeias

2019-05-20T17:23:00

20/05/2019 17h23

Bruxelas, 20 Mai 2019 (AFP) - Os partidos de extrema direita estavam nesta segunda-feira (20) na mira da União Europeia (UE) após uma série de escândalos, como o "Ibizagate" na Áustria, que rearmaram os ânimos a três dias das eleições para a Eurocâmara.

A divulgação de um explosivo vídeo de 2017 no qual o futuro número dois do governo austríaco, o extremista de direita Heinz-Christian Strache, pretendia fechar contratos públicos em troca de apoio financeiro implodiu a coalizão governante na Áustria e forçou sua renúncia.

A Comissão Europeia, através de sua porta-voz Margaritis Schinas, recebeu com "incredulidade" o fato de um líder negociar com "sócios" que "claramente" não levam os interesses europeus em "seu coração". No vídeo, o político falava com uma representante de um magnata russo.

O caso de Strache atingiu em cheio o grande ato realizado em Milão pela extrema-direita europeia, liderada pelo ministro italiano Matteo Salvini, de olho nas eleições para Eurocâmara e gerou críticas dos líderes do continente.

"Nós enfrentamos correntes (...) que querem destruir a Europa de nossos valores e devemos resistir categoricamente", declarou em Zagreb a chanceler alemã, Angela Merkel, criticando os "políticos que estão a venda".

As eleições para a Eurocâmara, que serão realizadas entre quinta e domingo, se anunciavam como uma batalha entre forças pró-UE e populistas de direita que, segundo as pesquisas, ganhariam mais destaque no novo mandato.

Em abril, os últimos levantamentos garantiam que o grupo 'Europa das Nações e das Liberdades' (ENL), que reúne a extrema-direita de vários países, passaria de 37 para 62 representantes num parlamento com 751 vagas.

Para Christine Verger, analista do Instituto Jacques Delors, o 'Ibizagate' na Áustria, "país onde a extrema-direita faz parte do governo", poderia representar um problema para os conservadores ao mostrar que não são impermeáveis à corrupção.

- 'Consequências incertas' -"Não é uma boa notícia a princípio, mas as consequências são incertas", explica à AFP Verger, que destaca o "mobilizado", "sólido" e "fiel" eleitorado da extrema-direita na França.

Matthias Jung, do instituto de pesquisa alemão Forschungsgruppe Wahlen, explicou ao jornal Tagesspiegel que "este escândalo poderia frear o avanço dos populistas na Europa", já que os eleitores poderiam se sentir estimulados a votar nos adversários para evitar o crescimento desta corrente conservadora no parlamento.

A francesa extremista de direita Marine Le Pen se viu obrigada a negar que o ex-conselheiro de Donald Trump, Steve Bannon, estaria desempenhando um papel importante na sua campanha, após ser pressionada pelo partido do presidente da França, Emmanuel Macron.

O ENL é um dos grupos da Eurocâmara de perfil populista de direita que as projeções desta instituição apontam que conseguirá 23% das vagas do próximo período parlamentar.

O objetivo do grupo de extrema-direita ENL é se converter na terceira força do parlamento, superando os liberais contando para isso com o apoio da Liga de Salvini e a Agrupação Nacional de Le Pen, e assim ficar no centro das decisões da casa.

O populista britânico Nigel Farage, líder do grupo parlamentar EFDD e que lidera as pesquisas no Reino Unido superando o Partido do Brexit, também está sob pressão por conta das suspeitas em torno da procedência de seu dinheiro.

A comissão eleitoral britânica anunciou que irá na terça-feira à sede do Partido del Brexit para "examinar" o financiamento de sua campanha para as eleições europeias, especialmente "as doações".

As eleições para a Eurocâmara determinam os caminhos do bloco continental. Tendo como base os resultados, os chefes de governo da UE deverão escolher quem vai liderar pelo próximo período as instituições que respondem pela entidade. A escolha dos nomes começará no dia 28 de maio numa reunião de cúpula extraordinária em Bruxelas.

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