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'Talibã americano' é libertado após 17 anos

2019-05-23T20:30:00

23/05/2019 20h30

Washington, 23 Mai 2019 (AFP) - John Walker Lindh, de 38 anos, conhecido como o "talibã americano", capturado enquanto lutava com os insurgentes islamistas em novembro de 2001, foi solto nesta quinta-feira (23), após 17 anos de prisão.

A Agência Federal de Prisões confirmou que Lindh deixou o presídio federal de segurança máxima em Terre Haute, em Indiana, no começo da manhã.

Ele ficará na Virgínia sob rígidos termos de liberdade condicional que limitam sua capacidade de entrar em contato com outros islamistas, por quaisquer meios, informou seu advogado Bill Cummings.

"Vamos vigiá-lo de perto", afirmou o presidente Donald Trump, lamentando que nenhum recurso tenha conseguido adiar a libertação. "Se houvesse alguma forma de impedir isto, nós faríamos em dois segundos".

"O que mais me preocupa é que temos um homem que não renunciou à apologia do terrorismo e temos que libertá-lo".

O secretário de Estado, Mike Pompeo, qualificou a libertação de "inexplicável". "Pelo que entendi, ele segue ameaçando os Estados Unidos e acreditando na Jihad que levou adiante".

Conhecido como "preso 001" durante a guerra contra o terrorismo travada por Washington, a libertação de Lindh reacende memórias dos ataques de 11 de setembro em Nova York, após o qual ele se tornou para muitos um dos rostos da ameaça extremista no país.

Mas, além disso, destaca o fato de que, quase duas décadas depois, os Estados Unidos continuam a batalha contra o Talibã sem vislumbrar um fim.

Sua família, que mora perto de San Francisco, Califórnia, não comentou e não pôde ser contatada imediatamente nesta quinta-feira.

Em uma carta ao FBI, dois senadores citaram esta semana acusações não comprovadas de que Lindh apoia a violência extremista "abertamente" e questionaram como essa suposta ameaça pode ser contida.

"Devemos considerar as implicações de segurança e proteção para nossos cidadãos e as comunidades que receberão indivíduos como John Walker Lindh", escreveram eles.

- Redução de pena -Lindh, de 38 anos, conseguiu reduzir três anos de sua pena original de 20 por bom comportamento.

Filho de um casal de classe média que vivia no norte de San Francisco, Lindh se converteu ao islamismo aos 16 anos e viajou para o Iêmen em 1998 para estudar árabe. Depois de voltar para casa por alguns meses, ele retornou ao Iêmen em 2000 e depois para o Paquistão para continuar estudando em uma escola religiosa.

Em meados de 2001, aparentemente atraído por histórias de maus-tratos aos afegãos, ele se juntou à luta do Talibã contra a Aliança do Norte.

Nesta quinta, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que a soltura de Lindh é "inexplicável e irracional".

"Pelo que eu entendo, ainda ameaça os Estados Unidos da América e ainda continua comprometido com a mesma Jihad, à qual se uniu, e que matou um grande americano e um grande oficial", o agente de elite da CIA Johnny Spann, disse Pompeo ao canal Fox News. "Tem algo profundamente preocupante e ruim nele", acrescentou.

"Eu dirigi a CIA. Johnny Micheal Spann era um dos nossos, um homem incrivelmente honesto e corajoso", disse."Agora permitimos a saída da prisão de alguém que esteve envolvido em sua morte depois de uma sentença relativamente curta", protestou, pedindo a "revisão" da decisão.

Depois de ser capturado em 2001, John Walker Lindh foi detido junto com outros talibãs em uma prisão perto de Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão. Foi interrogado por Spann, assassinado horas depois, em um motim de presos, tornando-se o primeiro americano a morrer na "Guerra Global ao Terror" lançada por George W. Bush.

Ferido durante a rebelião, Lindh foi enviado de volta para os Estados Unidos para ser julgado e condenado a 20 anos de prisão, em outubro de 2002.

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