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Irã minimiza efeito de novas sanções prometidas pelos EUA

Montagem com AFP Photo e Presidência do Irã
Montagem com o presidente dos EUA Donald Trump e o do Irã, Hassan Rouhani Imagem: Montagem com AFP Photo e Presidência do Irã

Em Teerã

2019-06-24T08:54:00

24/06/2019 08h54

O Irã minimizou o impacto das novas sanções americanas prometidas para hoje em um contexto de grande tensão, estimando que os Estados Unidos já fizeram tudo que é possível para punir a república islâmica economicamente.

No sábado, dois dias após a destruição de um drone americano por um míssil iraniano na região do Golfo, o presidente Donald Trump afirmou que "grandes sanções adicionais" seriam anunciadas nesta segunda, mas sem fornecer detalhes.

Ele fez este anúncio após cancelar in extremis ataques contra alvos iranianos em represália à destruição do drone.

As novas sanções econômicas que Washington se prepara para anunciar "não terão resultado", assegurou o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Abbas Mussavi.

"Existem realmente sanções que os Estados Unidos não impuseram ao nosso país e à nossa nação recentemente ou nos últimos 40 anos?", questionou durante uma coletiva de imprensa em Teerã.

"Nós realmente não sabemos quais são (as novas sanções), nem onde eles querem atingir, mas estimamos que não terão resultados", disse Mussavi.

Defensor de uma política americana de "pressão máxima" conta o Irã, o secretário de Estado Mike Pompeo está na Arábia Saudita para discutir a situação.

Ele encontrou o rei Salman e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman após ter considerado "uma coalizão mundial" contra o Irã, que ele acusou de ser "o maior Estado do mundo que patrocina o terrorismo".

Jacquelyn Martin/Pool via Reuters
Secretário de Estado dos EUA, Nike Pompeo, em encontro com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman Imagem: Jacquelyn Martin/Pool via Reuters

As tensões não param de crescer entre Teerã e Washington, especialmente após a destruição na quinta-feira do drone americano pelo Irã.

"O inimigo enviou seu aparelho de reconhecimento e observação mais moderno para zona proibida e todos viram como o drone foi abatido", disse nessa segunda-feira o contra-almirante Hossein Khanzadi, comandante da Marinha iraniana.

Por sua vez, o ministro iraniano das Telecomunicações, Mohammad Javad Azari-Jahromi, garantiu no Twitter que o seu país não sofreu danos de "supostos ciberataques" dos Estados Unidos. "Há muito tempo enfrentamos o ciberterrorismo".

Segundo Yahoo! News e o Washington Post, Trump autorizou secretamente ataques cibernéticos contra sistemas de lançamento de mísseis e uma rede de espionagem iranianas, em represália à destruição do drone americano.

Para o porta-voz iraniano, a promessa de novas sanções "faz parte da propaganda americana".

"Levamos, no entanto, muito a sério qualquer (nova) sanção, que consideramos um ato hostil consistente com o terrorismo econômico e a guerra econômica contra nossa nação", disse Mussavi.

"As declarações dos Estados Unidos de que estão prontos para negociar incondicionalmente são inaceitáveis sob ameaças e sanções", considerou por sua vez Hessamodin Achna, assessor do presidente iraniano Hassan Rohani.

A Rússia considerou nesta segunda que "essas sanções são ilegais", sem que o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, tenha feito outros comentários a respeito.

As primeiras sanções americanas contra o Irã datam de 1979, em resposta à tomada de reféns na embaixada dos Estados Unidos em Teerã, dez meses após a vitória da Revolução Islâmica.

Considerando que Teerã tenta adquirir secretamente armas atômicas, Trump decidiu, em maio de 2018, sair do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano concluído em 2015 e visto pelos europeus, russos e chineses - ainda partes do acordo - como a melhor maneira de garantir que o Irã não se dote da bomba atômica.

Como resultado, os Estados Unidos restabeleceram, desde agosto de 2018, uma série de sanções econômicas punitivas contra Teerã como parte de uma campanha de "pressão máxima".

Trump chegou a prometer a Teerã as sanções mais "duras" da história.

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AFP

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