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Polícia de Hong Kong justifica jatos de água e tiro de advertência: "manifestantes violentos"

25.ago.2019 - Policiais apontam armas em direção aos manifestantes em Tsuen Wan, Hong Kong - Tyrone Siu/Reuters
25.ago.2019 - Policiais apontam armas em direção aos manifestantes em Tsuen Wan, Hong Kong Imagem: Tyrone Siu/Reuters

26/08/2019 06h31

A polícia de Hong Kong justificou hoje o uso no domingo, pela primeira vez em mais de dois meses de protestos pró-democracia, de jatos de água e de um tiro de advertência com arma de fogo, alegando que os manifestantes são "extremamente violentos".

Em Tsuen Wan, a 10 km do centro de Hong Kong, foram registrados confrontos violentos no domingo entre manifestantes e a polícia após um protesto que atraiu milhares de pessoas.

Durante a noite, um grupo de agentes foi retido por manifestantes armados com tijolos que os ameaçaram, afirma a polícia em um comunicado.

Um oficial foi agredido e caiu, o que levou seis agentes a reagir e um deles "deu um tiro de advertência para o alto", explicou a polícia.

Esta foi a primeira vez que uma arma de fogo foi utilizada desde o início da crise, o que provocou o temor de um agravamento da situação.

A polícia também confirmou o uso de veículos equipados com jatos de água para disparar os manifestantes.

Quinze policiais ficaram feridos nos confrontos e dezenas de manifestantes, incluindo um adolescente de 12 anos, foram detidos por reunião ilegal, posse de armas e agressão aos agentes de segurança.

"A polícia faz um apelo à população para que se desvincule dos manifestantes violentos", afirma o comunicado, que também promete "medidas implacáveis" para levar os responsáveis à justiça.

O tiro provocou muitas críticas e inflamou as redes sociais, onde muitos ironizaram e repreenderam um porta-voz da polícia que elogiou as ações "corajosas e moderadas" dos oficiais.

Hong Kong, região semiautônoma do sul da China, vive sua maior crise política desde a devolução por Londres em 1997, com ações quase diárias nas quais os manifestantes denunciam um retrocesso das liberdades e uma crescente interferência de Pequim.

O protesto começou com a rejeição a um projeto de lei que autorizaria extradições para a China. A tramitação do texto foi suspensa pelas autoridades de Hong Kong, mas o movimento ampliou as reivindicações para pedir mais democracia e a proteção das liberdades.

Os confrontos em Tsuen Wan estão entre os mais violentos em quase 12 semanas de distúrbios políticos que abalam Hong Kong.

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