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Suspensas restrições em foco na China da COVID-19; mortos no mundo passam de 80 mil

07/04/2020 19h01

Wuhan, China, 7 Abr 2020 (AFP) - O governo chinês suspendeu nesta quarta-feira (noite de terça, 7, no Brasil) as restrições na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, epicentro do coronavírus que deixou mais de 80 mil mortos no mundo desde dezembro passado e que levou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson a ser internado em terapia intensiva.

Em Wuhan, uma cidade de 11 milhões de habitantes, milhares de pessoas que foram obrigadas a ficar nesta capital de província desde 23 de janeiro correram para as estações de trem na quarta-feira, na esperança de poder retomar seu trabalho e restaurar a normalidade.

"Eu fiquei preso aqui por 77 dias!", exclamou um homem ansioso para retornar a Changsha, a cerca de 350 km de Wuhan.

Mas enquanto da China, que na terça-feira não registrou nenhuma morte por coronavírus, chegam boas notícias, no resto do mundo elas não são muito animadoras.

Pelo menos 80.142 pessoas morreram e quase 140.000 foram infectadas em 192 países e territórios, segundo um balanço estabelecido pela AFP.

Nas últimas 24 horas, os países com maior número de mortes foram Estados Unidos, com 1.632, França, com 1.417 e Reino Unido, com 793. A Itália, com 17.127 mortes (+604) e a Espanha, com 13.789 (+743), continuam liderando esta lista de óbitos.

Além de registrar um aumento recorde de mortes, o Reino Unido acordou na terça-feira chocado com a internação em terapia intensiva do primeiro-ministro Boris Johnson, que se tornou o único chefe de Estado ou governo contaminado pela COVID-19.

O político de 55 anos, hospitalizado desde segunda-feira à noite, "recebe tratamento padrão de oxigênio e respira sem assistência", disse seu porta-voz na terça-feira.

O estado de Nova York também bateu outro recorde nas últimas 24 horas, com 731 mortes (5.489 no total), embora o número de hospitalizações pareça estar se estabilizando, segundo o governador Andrew Cuomo.

Em quantidade de casos, os Estados Unidos são o país mais afetado, com 383.256 pessoas infectadas oficialmente diagnosticadas, 12.021 falecimentos e 20.191 curados.

Diante da superlotação dos hospitais em Nova York, a Catedral de São João Teólogo, em Manhattan, está sendo transformada em um hospital de campanha com tendas médicas instaladas na grande nave e em sua cripta subterrânea.

"Em séculos precedentes, as catedrais sempre foram utilizadas desta forma, como durante a peste", disse o reitor Clifton Daniel.

- Cai a pressão -A Europa, com 57.351 vítimas fatais, continua sendo o epicentro da pandemia e aguarda com expectativa a confirmação da reversão anunciada neste fim de semana na Itália e na Espanha.

Apesar do aumento dos óbitos, o número de novas hospitalizações está diminuindo em vários países, alimentando a esperança de que o pico já esteja sendo atingido.

"Ainda estamos na fase ascendente, embora esteja desacelerando um pouco", declarou o diretor-geral da Saúde da França, Jérôme Salomon.

Em muitos hospitais europeus, o número de novos pacientes está diminuindo, dando um tempo às unidades de terapia intensiva, o epicentro da luta contra a Covid-19.

É o caso do gigantesco hospital de Barcelona em Vall d'Hebron, que teve que alocar 90% de seus recursos para pacientes com coronavírus.

Agora a situação está se estabilizando, com mais equilíbrio entre internações e as altas, mas os médicos alertam que a situação crítica ainda deve durar por uma ou duas semanas, pois a batalha das unidades de terapia intensiva "será longa", afirmam.

Após o anúncio da Áustria e da Noruega de flexibilização das medidas de contenção, Portugal espera voltar ao normal em maio.

Enquanto isso, o Japão decretou um estado de emergência para Tóquio e seis outras regiões do país, à luz da recente aceleração do número de casos de Covid-19 no país.

Outros países, como o Irã, que registrou uma diminuição nas infecções, estão começando a tomar medidas para retomar as atividades. Nesta terça-feira, o Parlamento iraniano se reuniu pela primeira vez desde o final de fevereiro.

- Desemprego em massa -Embora o confinamento diminua o contágio da COVID-19, os estragos na economia são inevitáveis, particularmente, no emprego: 1,25 bilhão de trabalhadores correm o risco de ser demitidos ou ter seus salários reduzidos, anunciou a Organização Internacional do Trabalho, que prevê que os trabalhadores do mundo poderiam perder 3,4 trilhões de dólares em renda este ano devido à pandemia.

A UE anunciou mais de 15 bilhões de euros para ajudar os países mais vulneráveis da África, Oriente Médio, Bálcãs, países vizinhos da UE e alguns da América Latina e do Caribe.

Nesta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), Ursula von der Leyen, apresentou "diretrizes" para a saída coordenada do confinamento, enquanto os países que têm o euro como moeda preparam em meio a divisões um plano coordenado de recuperação para enfrentar a crise econômica.

"A Comissão não quer correr o risco de emitir um sinal de relaxamento que possa ser mal interpretado", disse uma fonte europeia.

- Semana Santa em casa -Enquanto em Nova York, alguns templos servirão como hospitais de campanha, na maior parte da Europa, na América Latina, permanecerão fechados para a Páscoa e as procissões, que atraem milhões de fiéis, foram suspensas.

O papa oficiará as massas sozinho e elas serão transmitidas aos fiéis do mundo, enquanto na América Latina cada país se organiza como pode para não deixar os fiéis sem atos religiosos.

Em Guayaquil, epicentro do coronavírus no Equador, em vez de procissões, a arquidiocese levará Cristo del Consuelo em um passeio de helicóptero. No México, haverá procissões a portas fechadas e depois as transmitirão pela televisão; em Cuba, o Partido Comunista permitirá, pela primeira vez em 60 anos de revolução, a transmissão de cerimônias e ritos religiosos na mídia estatal.

Para a Páscoa judaica, Israel impôs um fechamento completo das cidades para conter o coronavírus.

Já a Guiné Equatorial anunciou que expulsará dois pastores brasileiros que celebraram cultos em suas congregações, que têm milhares de fiéis, apesar das rígidas proibições em vigor.

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