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Epicentro dos protestos antirracistas, Portland continua nas ruas

Policiais federais enfrentam manifestantes durante um protesto contra a desigualdade racial e a violência policial em Portland, Oregon, EUA - CAITLIN OCHS/REUTERS
Policiais federais enfrentam manifestantes durante um protesto contra a desigualdade racial e a violência policial em Portland, Oregon, EUA Imagem: CAITLIN OCHS/REUTERS

02/08/2020 11h02

O cheiro de gás lacrimogêneo ainda é sentido no ar de Portland, o mais recente epicentro das manifestações antirracistas e, até essa semana, palco de uma repressão brutal por parte da polícia federal.

O caos que atingiu a maior cidade de Oregon, oeste dos Estados Unidos, nas últimas três semanas pela chegada de policiais enviados pelo presidente Donald Trump, cessou assim que foram retirados das ruas na quinta-feira.

No entanto, sua presença revitalizou ao mesmo tempo os protestos pelo caso de George Floyd, um americano negro morto por um policial branco. Assim como no restante do país, essa manifestação já estava perdendo força.

Portland, com uma grande tradição de movimentos de protesto, tornou-se o epicentro desta causa com milhares de pessoas nas ruas todos os dias dias ao grito de "Black Lives Matter" (Vidas negras importam) e "Sem justiça, não há paz", repetindo o nome de Breonna Taylor, Floyd e outros mortos pela polícia.

Trump enviou as forças federais para proteger o tribunal federal, que agora será monitorado pela polícia de Oregon após um acordo com a governadora Kate Brown.

Trump disse, entretanto, que os policiais permanecerão até que termine o que ele define como uma "limpeza de anarquistas e agitadores".

Mas será que a ausência dos federais nas ruas vai enfraquecer os movimentos?

Os manifestantes dizem que não, porque os protestos não começaram por esta "intervenção", mas sim pelo racismo e a brutalidade policial que, conforme pregam, caracterizou a polícia deste estado por anos.

"As pessoas estão realmente comprometidas com a mudança... não acho que isso vai parar logo ou que vai perder o impulso", garantiu à agência de notícias AFP Sierra Boyne, uma jovem negra de 19 anos.

"Pronto para resistir"

Por quase três semanas, foi a mesma receita com os federais: eles dispersavam as manifestações com gás lacrimogêneo, bombas de gás e balas de borracha, enquanto os manifestantes resistiam com guarda-chuvas abertos, escudos caseiros improvisados e até ventiladores mecânicos, para desviar a fumaça espessa.

Desde quinta-feira, quando os policiais deixaram a área, centenas de pessoas continuam se reunindo sem incidentes, observou a AFP.

Os manifestantes dizem que continuarão nas ruas até que haja mudança. Mas qual? O que precisa acontecer para que as manifestações parem?

Não há apenas uma resposta nas ruas.

Boyne é precisa: quer o desfinanciamento da polícia e que se distribua mais riqueza entre as comunidades pobres, assim como a renúncia do prefeito democrata Ted Wheeler.

Alicia, de 46 anos, quer praticamente o impossível: que a Constituição dos Estados Unidos seja revogada. "Quero sonhar", se justificou.

Enquanto continuam nas ruas, os manifestantes acreditam que a trégua com a polícia durará pouco. Prontos para o retorno do gás e das balas de borracha, os jovens continuam chegando às manifestações com escudos, tacos de hóquei e máscaras de gás.

"É preciso estar pronto", disse um jovem que carregava no ombro um soprador como um fuzil. "Pronto para resistir".