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Internacional

ONU, União Europeia e Igreja pedem que bolivianos votem em paz

17/10/2020 08h47

La Paz, 17 Out 2020 (AFP) - A ONU, a União Europeia e a Igreja Católica pediram que os bolivianos votem em paz na eleição presidencial de domingo (18) para evitar a repetição dos atos de violência que deixaram o país em luto, após as eleições anuladas de 2019.

O esquerdista Luis Arce, afilhado político de Evo Morales, e o ex-presidente de centro Carlos Mesa são os candidatos com mais chances de vencer as eleições, depois de uma campanha marcada pela polarização entre seguidores e críticos do ex-presidente aimara, agora refugiado na Argentina.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos bolivianos que "se comprometam com a realização de eleições pacíficas" e que respeitem "os resultados finais da votação".

Guterres destacou, ainda, que as eleições devem ser "transparentes, confiáveis, participativas e inclusivas, em um quadro de pleno respeito aos direitos civis e políticos", segundo um comunicado da ONU.

"Saúdo a determinação do povo boliviano em participar das eleições. Todos deveriam poder exercer o direito ao voto em paz, sem intimidações, nem violência", manifestou-se a alta funcionária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em um comunicado.

"Ninguém quer que se repitam os acontecimentos do ano passado", indicou Bachelet, em alusão aos distúrbios resultantes das denúncias de fraude nas eleições de 2019, nas quais Evo Morales tentava um quarto mandato. Os episódios de violência deixaram 30 mortos.

Na nota, a comissária da ONU expressou sua "profunda preocupação pela linguagem incendiária e as ameaças proferidas por alguns atores políticos nas últimas semanas, assim como pelo crescente número de agressões físicas registradas" na campanha.

Além disso, a ONU fez outro apelo junto aos bispos católicos bolivianos e à União Europeia para "evitar a violência durante e depois do processo eleitoral para não criar um clima de confronto e agressão que impeça concluir com êxito o presente processo de transição democrática".

Também estão na Bolívia missões de observação da Organização de Estados Americanos (OEA), do Centro Carter e da União Interamericana de Organismos Eleitorais.

Sete milhões de bolivianos estão habilitados a votar no território nacional, e 300.000, no exterior, mais da metade deles na Argentina. Por causa da pandemia do novo coronavírus, pelo menos 28.000 não poderão votar em cidades do norte do Chile.

"Aproveitemos esta oportunidade para dar estabilidade ao país, depois de um ano conflituoso", pediu nesta sexta-feira o presidente da Conferência Episcopal Boliviana, Ricardo Centellas.

Clima de tensão

Os nervos estão à flor da pele, o que gerou escassez artificial de gasolina nas cidades, com longas filas de veículos nos postos, observaram jornalistas da AFP.

Há uma demanda incomum por botijões de gás para uso domiciliar e uma afluência crescente de pessoas a mercados e supermercados para se abastecer.

Na cidade de Cochabamba (centro), houve distúrbios na quinta-feira, quando a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo em meio à explosão de artefatos para dissipar uma manifestação por disputas locais alheias à campanha eleitoral.

"Também estamos realizando as investigações para determinar a quem pertenceriam estes grupos, ou quem estaria por trás destes grupos", disse o comandante da polícia de Cochabamba, Javier Mendoza.

Existe ainda o temor, entre alguns bolivianos, em relação às advertências feitas por líderes do Movimento ao Socialismo (MAS), de Morales e Arce, de que vão defender a democracia nas ruas, se seu candidato perder a disputa por "fraude" eleitoral.

"A era de Evo acabou"

O chefe do órgão eleitoral, Salvador Romero, prometeu na quinta-feira "seriedade técnica, imparcialidade política e transparência" na contagem dos votos para evitar que se repita o ocorrido no ano passado.

Na noite das eleições de 2019, o sistema rápido de apuração parou e, quando voltou a funcionar, no dia seguinte, havia um aumento considerável da vantagem de Morales.

À época, a missão de Observação da OEA expressou sua preocupação com este aumento, que qualificou de "drástico" e "difícil de explicar". A oposição foi às ruas, e Morales renunciou em 10 de novembro, após perder o apoio das Forças Armadas.

O primeiro presidente indígena da Bolívia foi, então, substituído pela direitista Jeanine Áñez como presidente transitória. Ela convocou as novas eleições, que foram adiadas três vezes por causa da pandemia do novo coronavírus.

A covid-19 deixou 140.000 contagiados e 8.400 mortos no país.

"A era Morales praticamente acabou, a maioria dos bolivianos não quer que volte" ao país, disse na sexta-feira à AFP o colega de chapa de Mesa, Gustavo Pedraza.

Existem altas probabilidades de a eleição não ser definida neste domingo, sendo necessário um segundo turno, previsto para 29 de novembro.

A Constituição declara vencedor em primeiro turno o candidato que tiver maioria absoluta, ou 40% dos votos com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Caso contrário, há segundo turno.

No domingo, também será renovado o Congresso boliviano, hoje controlado pelo MAS.

União Europeia, OEA, o Centro Carter e a União Interamericana de Organismos Eleitorais enviaram missões de observação para as eleições bolivianas.

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