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Com pandemia, Mamãe Noel usa proteção plástica para abraçar crianças em BH

09/12/2020 10h44

Belo Horizonte, 9 dez 2020 (AFP) - A pandemia do novo coronavírus reduziu ao mínimo o contato físico e os encontros. Mesmo assim, a 'Mamãe Noel' conseguiu continuar distribuindo abraços e brinquedos para crianças carentes em Minas Gerais, usando uma cortina de plástico como proteção.

"Gostei muito do abraço quentinho da Mamãe Noel. É muito fofo, muito gostoso", disse à AFP a pequena Daphne Victoria, em um bairro pobre da zona oeste de Belo Horizonte visitado pela voluntária Fátima Sanson, vestida com a tradicional roupa vermelha para doar brinquedos e alimentos.

Com a cortina de plástico que ela própria fez, Fátima pode abraçar as crianças que, emocionadas ao vê-la, não resistem e a enchem de beijos e carinhos no rosto através da barreira transparente, que é desinfectada por um ajudante da Mamãe Noel a cada breve encontro.

"Hoje eu me senti tão bem por saber que eu pude abraçar durante esta pandemia", comemorou esta Mamãe Noel de 61 anos, que optou por uma saia um pouco mais curta, já que cumpre sua tarefa em pleno verão.

Dedicada há quase meio século ao voluntariado em áreas carentes de Minas Gerais, Fátima não podia desistir de se transformar mais uma vez em Mamãe Noel, como faz todo dezembro. Desta vez, porém, ela teve o cuidado de cumprir todas as medidas de prevenção contra o vírus, especialmente depois de ter superado um câncer de mama em fevereiro.

Com mais de 440 mil infecções por coronavírus, Minas é o segundo estado com o maior número de casos, depois de São Paulo. O país acumula 6,6 milhões de infectados entre seus 211,8 milhões de habitantes, e mais de 177 mil mortes, número ultrapassado apenas pelos Estados Unidos.

mamae noel - Douglas Magno/AFP - Douglas Magno/AFP
Vestida de Mamãe Noel, Fatima Sanson distribui presentes e abraços com uma proteção plástica para crianças carentes de Belo Horizonte
Imagem: Douglas Magno/AFP

Fátima alegrou tanto o dia das crianças quanto o de seus pais e mães, a quem doou cestas básicas, tão necessárias em um momento em que o trabalho informal do qual dependem foi severamente atingido pelas restrições impostas desde a chegada da covid-19 ao Brasil em fevereiro.

"Espero que venham dias melhores para nós e que ano que vem o abraço seja mais caloroso, que a gente possa abraçar mais, que a gente possa sentir aquele calor humano, que a gente está precisando", afirmou Valmira Pereira, que trabalha fazendo faxinas em casas e apartamentos.

Junto com Daphne e Valmira, uma dezena de famílias do bairro compareceu ao pequeno local cedido por uma ONG para cumprimentar a Mamãe Noel, que arrecada doações para entregar brinquedos e alimentos da cesta básica próximo às festas de fim de ano.

E, graças à sua engenhosidade, este ano ela também pode abraçar e ser abraçada: estamos nos "contaminando com esse abraço, com esse amor, com esse carinho", disse.

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