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Argentina ameaça romper contrato após atraso na entrega de doses da Sputnik V

Argentina já recebeu 9,37 mi de doses para a primeira aplicação, mas apenas 2,49 mi para a segunda; doses são de fórmulas diferentes - Reprodução/Divulgação
Argentina já recebeu 9,37 mi de doses para a primeira aplicação, mas apenas 2,49 mi para a segunda; doses são de fórmulas diferentes Imagem: Reprodução/Divulgação

Em Buenos Aires (Argentina)

22/07/2021 13h00Atualizada em 22/07/2021 13h29

A Argentina reclamou com a Rússia pelos atrasos na entrega da segunda dose da vacina Sputnik V contra a covid-19, em uma carta na qual ameaça romper o contrato — confirmou hoje a assessora presidencial Cecilia Nicolini.

A carta, dirigida ao Fundo Russo de Investimento em 7 de julho, foi revelada hoje pelo jornal argentino La Nación e confirmada depois por Nicolini em declarações à imprensa.

"Precisamos urgentemente do segundo componente. A essa altura, todo contrato está em risco de ser publicamente cancelado", diz a carta.

O esquema da vacina Sputnik V, do laboratório Gamaleya, compreende duas doses que são diferentes e não intercambiáveis, ao contrário da maior parte dos outros imunizantes contra a covid-19.

"Nós entendemos a escassez e as dificuldades de produção de alguns meses atrás", continua a carta. "Mas agora, sete meses depois, ainda estamos muito atrás, enquanto começamos a receber doses de outros fornecedores regularmente, com cronogramas que são cumpridos".

A Argentina fechou um acordo com a Rússia de cerca de 30 milhões de doses da Sputnik V, das quais recebeu 11,86 milhões, segundo a funcionária, que viajou junto com a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, várias vezes à Rússia para a supervisão do contrato.

Até agora, chegaram 9,37 milhões da primeira dose, mas apenas 2,49 milhões do componente da segunda dose da Sputnik V.

"Diante de uma situação mundial como a que estamos vivendo e de uma dificuldade na produção, é muito comum esse tipo de situação e de pressão. Se nós não fizermos, os outros fazem", declarou hoje a ministra Vizzotti à rádio argentina El Destape.

Nas últimas semanas, o governo acelerou a campanha de vacinação para completar os esquemas de duas doses, devido ao receio de consequências da variante delta da covid-19. Ainda não foi registrada a circulação comunitária dela no país.

No início da campanha de vacinação, a Argentina priorizou a imunização da maior quantidade possível de pessoas com a primeira dose e decidiu aplicar as segundas doses em um prazo de três meses. Este esquema é semelhante ao aplicado pelo Reino Unido.

No entanto, pessoas que receberam a Sputnik V ainda aguardam a segunda dose depois de mais de três meses.

A Argentina foi o primeiro país da região a aprovar e aplicar a Sputnik V em dezembro de 2020. Além disso, recentemente, fez um acordo para fracionar e embalar essa vacina em um laboratório particular argentino.

Em torno de 17,07 milhões de pessoas receberam uma primeira dose das diferentes vacinas (o país também aplica os fármacos da AstraZeneca e da Sinopharm), e 5,79 milhões, as duas injeções, de uma população de 45 milhões.

A Argentina acumula quase 103 mil mortes pelo vírus e 4,79 milhões de casos.

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