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Nova votação sobre Gaza no Conselho de Segurança da ONU é ameaçada pelo veto dos EUA

O Conselho de Segurança da ONU deverá votar, nesta terça-feira (20), um novo texto que exige um cessar-fogo "imediato" em Gaza, uma resolução ameaçada por um novo veto dos Estados Unidos, o terceiro desde o início da guerra entre o seu aliado Israel e Hamas.

O projeto de resolução elaborado pela Argélia, ao qual a AFP teve acesso, "exige um cessar-fogo humanitário imediato que deve ser respeitado por todas as partes" e se opõe ao "deslocamento forçado da população civil palestina".

Esta nova tentativa surge em um momento em que Israel evocou uma retirada de civis antes de uma ofensiva terrestre em Rafah, onde 1,4 milhão de pessoas estão aglomeradas no sul da Faixa de Gaza. E pede a libertação de todos os reféns.

A votação está marcada para as 10h00 locais (12h00 no horário de Brasília).

Assim como os textos anteriores rejeitados por Israel e pelos Estados Unidos, este não condena o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro, que causou a morte de mais de 1.160 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva que deixa mais de 29 mil mortos em Gaza, a grande maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.

Neste fim de semana, os Estados Unidos alertaram que o texto argelino não era aceitável e ameaçaram vetá-lo.

"Não acreditamos que este produto do Conselho vá melhorar a situação no terreno (...) portanto, se esta resolução for colocada em votação, não será aprovada", reiterou Robert Wood, vice-embaixador dos Estados Unidos na ONU, na segunda-feira.

Os Estados Unidos consideram que esta resolução colocaria em risco as delicadas negociações diplomáticas para obter uma trégua que inclua uma nova libertação de reféns.

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Neste contexto, os representantes americanos fizeram circular um projeto de resolução alternativo, ao qual a AFP teve acesso na segunda-feira.

Embora até agora tenham se oposto sistematicamente ao uso do termo "cessar-fogo", vetando dois textos em outubro e dezembro, a versão apoia um cessar-fogo, mas não imediato.

Fazendo eco às recentes declarações do presidente americano, Joe Biden, o texto refere-se a um "cessar-fogo temporário em Gaza assim que possível" e com base em uma "fórmula" que inclui a libertação de todos os reféns.

O projeto dos EUA também expressa preocupação com Rafah, alertando que "uma grande ofensiva terrestre" não deveria ocorrer nas "circunstâncias atuais", pois "resultaria em mais danos à população civil e em mais deslocamentos".

"Não temos planos de nos apressarmos na votação do nosso texto", disse um alto funcionário dos EUA na segunda-feira, que afirmou não ter uma "data limite".

"Do jeito que está, não pode ser aprovado", comentou uma fonte diplomática, citando vários "problemas" relacionados, em particular, ao texto no que diz respeito a um cessar-fogo e ao risco de um veto russo contra um texto preparado pelos Estados Unidos.

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