Tombini: queda na produção e fim do choque de tarifas ajudam a segurar inflação

Brasília - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombinir participa da 44 Reunião Ordinária do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Para o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a desvalorização do real contribui para melhorar a competitividade do paísFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A queda na produção e o fim do choque de preços administrados (como energia e combustíveis) ajudarão a segurar a inflação em 2016 e garantir a convergência do índice oficial de preços para o centro da meta em 2017, disse hoje (28) o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. Em discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ele declarou que a desvalorização do real está contribuindo para melhorar a competitividade do país.

"Nos próximos trimestres, dois importantes fatores levarão ao declínio da inflação. Primeiro, a razão entre os preços administrados e os preços livres está em um patamar próximo ao fim da década passada, de modo que os ajustes dos preços administrados em 2016 tendem a ser substancialmente menores do que os vivenciados em 2015", discursou o presidente do BC. "Segundo, o hiato do produto deverá reduzir a pressão inflacionária em 2016, limitando a propagação da inflação para horizontes mais longos."

Para Tombini, a instabilidade na economia global e "pressões geopolíticas" agravaram as incertezas da economia para este ano. Ele afirmou que a capacidade da política fiscal e monetária de impulsionar o crescimento esgotou-se, mas destacou que o ajuste nas contas externas, provocado pelo aumento da quantidade exportada e pela diminuição das importações, está trazendo efeitos positivos para o país no médio prazo. Segundo ele, a indústria brasileira está cada vez mais competitiva.

"Os ganhos de competitividade desse processo para a economia nacional são indiscutíveis. A título de exemplo, destaco a redução de mais de 40% no custo unitário do trabalho na indústria, quando medido em dólares, desde o pico registrado em meados de 2014."

De acordo com o presidente do BC, a recuperação seria mais rápida se as condições externas estivessem melhores. Ele citou a desaceleração da economia chinesa, que reduz o preço das commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional), e a demora na recuperação da zona do euro, dos Estados Unidos e do Japão como fatores que complicam o crescimento da economia global e afetam fortemente países emergentes como o Brasil.

A reunião do CDES ocorre desde o início da tarde. Com 47 empresários e 45 representantes da sociedade civil e das centrais sindicais, o conselho é um fórum de discussão sobre medidas a serem adotadas para recuperar o crescimento econômico. Segundo o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, deverão ser feitas quatro encontros no ano. O próximo será em abril.

* Colaboraram Paulo Victor Chagas e Sabrina Craide

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