Maduro cria comissão que vai verificar assinaturas para referendo

Da Agência Lusa

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite de ontem (29) que o governo criou uma comissão para verificar "uma a uma" as rubricas dos eleitores que assinaram o pedido para a realização de um referendo sobre a revogação do seu mandato. "Designei uma equipe especial para verificar uma a uma a listagem de todas as assinaturas que vão ser entregues pela direita, para que cumpram todas as margens legais", disse.

Maduro falou em Caracas durante um evento sobre turismo. "O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) decidirá o que tiver que decidir, estou pronto para sair vencedor", ressaltou. O presidente venezuelano informou que o socialista e presidente do município de Libertador, Jorge Rodríguez, dirigirá a equipe que vai verificar as assinaturas da oposição.

Jorge Rodríguez assegurou que "não foi ativado nenhum mecanismo de referendo" e explicou que, segundo o regulamento do CNE, "se uma organização política quer solicitar um processo de referendo deve apresentar 1% (das assinaturas) do Registro Eleitoral". "No dia em que esse 1% for apresentado no CNE, solicitaremos que nos permitam fiscalizar e dar garantia da certificação das pessoas, de forma pública", afirmou.

A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática, da Venezuela, anunciou ontem que já recolheu as assinaturas necessárias para ativar o referendo com o objetivo de revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro. "Em apenas horas, conseguimos a tarefa que seria de 30 dias e o governo sabe disso. Eles sabem o que aconteceu, a contundência dessa jornada que teve início na quarta e terminou na quinta-feira", disse o ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski.

O líder da oposição acrescentou, em entrevista em Caracas, que é preciso ainda "superar obstáculos, mas que quando os venezuelanos se unem e remam juntos, não há obstáculo" que os trave.

Segundo Capriles, o número de assinaturas recolhidas é oito vezes superior ao necessário, ou seja, 1.102.236 quando o CNE exigia que tivessem o aval de 197.798 eleitores (1% dos cidadãos inscritos no Registro Eleitoral).

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