Fiscal garante que não há risco de infecções para cavalos nas Olimpíadas

Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

 

Do ponto de vista das questões sanitárias e de negociação sanitária para ingresso e retorno dos cavalos que participarão dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, "não há risco de esses animais se infectarem e nem de transmitirem alguma doença aos nossos cavalos ou aos demais cavalos participantes do evento", de acordo com o fiscal federal agropecuário Alberto Gomes da Silva Júnior, responsável no Ministério da Agricultura pela sanidade dos equinos nas duas competições.

Em relação aos locais de competição que estão sob cuidados diretos dos fiscais federais agropecuários do ministério há mais de dois anos, Silva Júnior salientou que "inclusive, ele (local) está em "vazio sanitário", não tem nenhum cavalo lá desde abril de 2015".

No Rio de Janeiro, a operacionalização dos trabalhos iniciados no Centro Olímpico de Deodoro é feita pela Superintendência Federal de Agricultura, envolvendo uma equipe de até 50 fiscais, relacionados direta ou indiretamente com os jogos, disse Silva Júnior, que é médico veterinário. Na semana que vem, ele estará no Rio de Janeiro para mais uma reunião sobre os cavalos nos jogos.

Informou que as seis aglomerações de cavalos do Complexo de Deodoro, utilizadas para diversas atividades, entre as quais treinamento do Exército, ficam em instalações isoladas. Todos esses animais foram submetidos a testes para mormo, anemia e diversas outras doenças, e para controle de vetores, como moscas e carrapatos, e estão sob constante vigilância. "Nós temos um controle bastante efetivo. Tanto que essa zona foi considerada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como uma zona livre de doença dos equídeos". Por isso, reiterou que do ponto de vista sanitário, as instalações estão aptas e sob a supervisão dos fiscais federais agropecuários.

Atletas

Os cavalos atletas começam a chegar ao Brasil nos próximos dias 30 de julho e 1º de agosto, em voos fretados exclusivamente com essa finalidade e acompanhados por veterinários da Federação Equestre Internacional. No total, são esperados 314 cavalos do exterior, sendo 236 para disputar as provas olímpicas de equitação, adestramento e hipismo (saltos) e 78 para as provas paralímpicas. Os três primeiros voos trarão 76 cavalos que vêm participar dos primeiros eventos olímpicos. Nos dias 2 e 3 de agosto, também em três voos, chegam mais 70 cavalos. Já os 90 cavalos das provas de salto virão em outros três voos nos dias 7 e 8 de agosto.

Os animais desembarcarão obrigatoriamente no Aeroporto Internacional Tom Jobim/RIOgaleão, no Rio de Janeiro, onde serão recebidos por fiscais federais agropecuários, responsáveis pela Vigilância Agropecuária Internacional. Outra força tarefa envolvendo fiscais do Brasil inteiro já foi treinada para trabalhar no terminal de passageiros, que receberá cães-guias e produtos para as delegações. Esses cães também precisarão de verificação da entrada e certificação de retorno.

Depois de checada a certificação e feita a avaliação sanitária, entre outras questões, os cavalos seguirão direto para Deodoro em caminhão lacrado e telado, com escolta da segurança pública do Rio de Janeiro e acompanhamento veterinário para evitar risco de contaminação no trajeto até o local de competições. No Centro Olímpico, eles serão recebidos também por uma equipe do MAPA, "para atestar se chegou tudo em ordem", e encaminhados para suas baias. Alberto Gomes da Silva Júnior disse que aí, a responsabilidade do manejo e controle desses animais passa para o Comitê Rio 2016.

Observou que na ocasião do retorno aos países de origem, os fiscais do ministério assumem de novo o comando, fazendo a verificação e a certificação veterinária internacional necessária para o embarque dos animais. Os nove voos de retorno dos cavalos estrangeiros estão programados para os dias 11 e 12 de agosto; 17 e 18 de agosto; e 21 e 22 de agosto, caso dos animais de salto. Silva Júnior informou que os equídeos oriundos do exterior não podem permanecer no Brasil nem ser destinados a outra localidade, porque o cumprimento dos requisitos sanitários já foi negociado com os países de origem. Já os cavalos dos Jogos Paralímpicos deverão retornar até 17 de setembro.

Cada delegação tem seus próprios tratadores e veterinários. Durante a permanência dos equídeos em Deodoro, os veterinários do Ministério da Agricultura darão atenção somente à suspeita de doenças infectocontagiosas. Os demais problemas que não envolvam a necessidade de uma ação oficial devem ser resolvidos por médicos das delegações ou da Federação Equestre Internacional.

Cavalos brasileiros

Para os cavalos brasileiros, os requisitos sanitários são os mesmos. A diferença é que em vez de virem com um certificado emitido por um serviço veterinário estrangeiro, "esse animal vai ingressar em Deodoro com um certificado emitido pelo MAPA, por nós". São ao todo quatro cavalos nacionais que participaram das seletivas e deverão disputar as provas. Eles se encontram cumprindo quarentena no estado de São Paulo, em uma propriedade onde não existe nenhum outro cavalo, sob a supervisão oficial de fiscais do ministério.

Os cavalos nacionais vão para Deodoro via terrestre, também em caminhão lacrado, protegidos contra vetores e sob escolta. O tratamento do ponto de vista sanitário é o mesmo para os cavalos que vão ingressar do exterior, afiançou Silva Júnior. A princípio, a chegada dos atletas brasileiros de quatro patas está prevista para o dia 30 deste mês ou 1º de agosto, porque participam das primeiras provas do concurso completo de equitação.

O responsável no MAPA pela sanidade animal dos cavalos nos jogos virá no dia 28 de julho para o Rio de Janeiro, para acompanhar a chegada de todos os cavalos. Ele supervisionará também a saída dos três primeiros voos, "para garantir que tudo ocorra dentro do que tem sido planejado pelo MAPA". Os voos de retorno restantes serão acompanhados pelos fiscais federais do Rio de Janeiro, que estarão disponíveis também em toda a duração dos dois eventos.

Mormo

Segundo o médico veterinário, o mormo é uma doença endêmica no Brasil. "A gente tem casos da doença em praticamente todas as unidades da Federação". No estado do Rio de Janeiro, não há nenhum caso registrado de mormo há mais de dois anos. "Mas nós não garantimos que o Rio seja livre da doença", advertiu. Indicou, entretanto, que o trabalho em Deodoro visou fazer com que aquele local de competição fosse reconhecido internacionalmente como livre da doença.

"Mesmo que aconteça um foco de mormo no estado do Rio de Janeiro, isso não impacta em absolutamente nada no andamento dos Jogos Olímpicos, porque os animais virão para uma zona livre". A própria União Europeia, de onde virá a maioria dos cavalos atletas, já tem uma norma aprovada e válida até 31 de outubro deste ano reconhecendo aquela área como livre de mormo e autorizando o retorno dos animais desse local, no Brasil.

O plano de biosseguridade elaborado pelo Comitê Rio 2016 e aprovado pelo MAPA estabelece os procedimentos de manejo dos animais atletas. Além disso, as instalações são todas teladas e cercadas para impedir a entrada de animais errantes. "É uma zona considerada livre e sob uma regra de biosseguridade clara para manter o risco sanitário negligenciável de disseminação de qualquer infecção dentro da área".

Jogos Pan-Americanos

Silva Júnior disse que a experiência adquirida nos Jogos Pan-Americanos de 2007 na recepção de equídeos serviu para os fiscais federais agropecuários corrigirem e evitarem problemas para a Olimpíada e Paralimpíada deste ano. "Os Jogos Pan-Americanos deram uma 'expertise' para a gente realizar negociações do ponto de vista sanitário para esses animais". Em 2007, os animais estrangeiros ficaram alojados na mesma região, conhecida à época como Centro de Hipismo de Deodoro, que foi reconstruído para dar lugar ao atual Centro Olímpico de Hipismo.

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