Em Porto Alegre, atos contra e a favor do impeachment ocupam parques da cidade

Daniel Isaia - Correspondente da Agência Brasil

Manifestações favoráveis e contrárias ao impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff ocorrem hoje (31) a menos de dois quilômetros uma da outra em Porto Alegre. No Parque Moinhos de Vento, o Parcão, está o grupo que defende o afastamento definitivo de Dilma. No Parque Farroupilha, os manifestantes pró-Dilma protestam contra o que chamam de golpe. Os dois começara, por volta das 14h.

No Parcão, a manifestação ocupou parte da Avenida Goethe, que contorna o parque, com bandeiras do Brasil e faixas de protesto, além dos bonecos infláveis de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um terceiro personagem, o juiz federal Sérgio Moro, também ganhou uma versão de boneco, com roupa de super-herói.

O ato é organizado pelos movimentos Brasil Livre (MBL), Vem pra Rua e Brasil Melhor. A coordenadora estadual do MBL, Paula Cassol Lima, ressaltou que um dos objetivos é protestar contra um possível "acordão" dos políticos para enfraquecer a Operação Lava Jato. "Uma das questões principais é a delação premiada. Eles querem impedir que as pessoas que estão presas façam esse tipo de acordo. E nós sabemos que na operação se conseguiu muita informação sobre esquemas gigantes de corrupção envolvendo vários partidos."

Entre os manifestantes favoráveis ao impeachment, havia pessoas que defendem a monarquia parlamentarista e o retorno da família real ao poder no Brasil. "Já que estamos em um momento de analisar as nossas instituições, que estão extremamente corroídas, nós hoje temos essa proposta de novamente analisar a nossa história e ver efetivamente o que funcionou no Brasil", disse a advogada Maria Cristina Meneghini. Segundo ela, "os melhores IDH do mundo vêm de monarquias parlamentaristas".

Contra o impeachment

No Parque Farroupilha, o ato contra o impeachment e o governo do presidente interino Michel Temer é organizado pela Frente Brasil Popular. A manifestação tem apresentações artísticas de músicos e grupos teatrais. Os participantes carregam bandeiras de movimentos sociais e organizações sindicais, além de faixas de apoio a Dilma e de denúncia ao que os manifestantes consideram um golpe.

A menos de um mês para o julgamento do impeachment no Senado Federal, os organizadores destacaram a importância de manter a população mobilizada para sensibilizar os senadores a votar contra o afastamento definitivo de Dilma. "Nós achamos que tem seis senadores que têm vergonha na cara e perceberam que o golpe não é contra a Dilma, mas contra os direitos sociais e trabalhistas", disse o presidente da Frente Brasil Popular, Claudir Néspolo.

Para o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que participa do ato, o governo Temer está ficando enfraquecido pela necessidade de cumprir os acordos do impeachment. "Amanhã está prevista a votação da Medida Provisória 257, que atinge diretamente os servidores. Terça-feira está prevista a votação da mudança da regra de exploração do pré-sal. Cada parcela do golpe que o governo paga são mais setores da sociedade que se unem conosco", destacou.

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