Promessas custariam até R$ 29,6 bilhões aos cofres públicos de São Paulo

Em São Paulo

  • Flavio Florido/UOL

    Foto mostra São Paulo vista de uma das varandas do Edifício Copan, no centro da capital

    Foto mostra São Paulo vista de uma das varandas do Edifício Copan, no centro da capital

São Paulo precisaria de ao menos R$ 29,6 bilhões em caixa para colocar em prática as principais propostas apresentadas pelos candidatos a prefeito. Esse é o valor estimado, por exemplo, para congelar a tarifa do transporte público em R$ 3,80 pelos quatro anos de mandato, construir 100 quilômetros de corredores de ônibus, oferecer escola integral a 100 mil crianças e contratar 2 mil médicos, entre outras promessas alardeadas durante a disputa eleitoral.

A estimativa do Estado foi alcançada com base em dados da Prefeitura e em projeções feitas com a ajuda de especialistas, tendo em vista os maiores compromissos firmados até agora. Apesar do custo alto e do período econômico difícil pelo qual passa o País, os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenções de voto não falam em crise, muito menos explicam como vão conseguir recursos para colocar suas propostas em prática.

Quem ganhar a preferência do eleitor vai ter de lidar com um cenário financeiro no mínimo apertado. O teto previsto para investimentos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 é de R$ 2,9 bilhões, valor 56% menor do que o aprovado para este ano. É como se o próximo prefeito ou prefeita tivesse de ampliar essa previsão dez vezes durante o mandato para viabilizar parte dos compromissos ou então gastar mais da metade do atual Orçamento, fixado em R$ 54 bilhões.

Só a manutenção da tarifa de ônibus em R$ 3,80 pelos próximos quatro anos, como prometem Marta Suplicy (PMDB) e João Doria (PSDB), demandaria R$ 6,4 bilhões a mais em subsídios para as empresas de transporte. Já a implementação de um sistema de transporte moderno, nos moldes do chamado BRT (transporte rápido por ônibus), onde o passageiro paga a passagem antes de embarcar, exigiria R$ 70 milhões por km - Marta promete 100 km.

"O BRT seria muito bem-vindo, desde que haja dinheiro. Já congelar a tarifa seria uma temeridade na atual situação. E o principal beneficiário nem seria o usuário, mas os empresários, que não teriam de pagar mais em vale-transporte", diz o consultor de engenharia de tráfego Flamínio Fichmann.

Saúde

Considerada pela população a área mais deficitária, a saúde é a que reúne o maior número de propostas vendidas como a solução para os problemas da rede. Contratação de médicos, expansão do prontuário eletrônico com uso de cartão com chip e oferta de consultas e exames durante o período noturno ou mesmo de madrugada estão entre as medidas anunciadas.

Caso vença, Celso Russomanno (PRB) precisará de nada menos do que R$ 1,8 bilhão por ano, ou R$ 7,2 bilhões em quatro, para cumprir a promessa de dobrar o salário dos 5,7 mil médicos da rede direta. Isso se for levado em conta apenas o salário inicial pago pela Prefeitura, de R$ 13,1 mil, sem os benefícios nem 13º salário. Com esses mesmos números é possível calcular quanto custaria contratar 2 mil médicos em quatro anos: R$ 1,2 bilhão. Já estender o funcionamento das unidades de saúde até as 23 horas demandaria R$ 503 milhões por ano ou R$ 2 bilhões até 2020.

"Os candidatos estão fingindo que é tudo céu de brigadeiro, isso não é real", afirma Laura Macruz, professora de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). "Caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar os gastos públicos for aprovada, haverá impacto direto na gestão municipal. A fatia de recursos do Orçamento para a saúde, hoje em torno de 20%, pode diminuir, e os candidatos nem levam isso em consideração", diz.

Educação

Na educação, mais uma ideia cara: a de ampliar o ensino integral, de oito horas. Sob esse formato, o custo do aluno sobe 29%, segundo o Plano Nacional de Educação. Todos os candidatos, com exceção de Luiza Erundina (PSOL), abordam o tema, recorrente, aliás, em campanhas eleitorais.

Marta é a única a citar números. Promete matricular 100 mil crianças nesse sistema. Para isso, terá de obter cerca de R$ 2,5 bilhões - tendo como base o valor anual de R$ 5 mil por aluno na escola regular. Outro compromisso batido, o de abrir vagas em creche, teria custo semelhante, de R$ 2,7 bilhões, para Fernando Haddad (PT) num eventual segundo mandato. O petista diz que ampliará a rede em mais 100 mil vagas.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), a conta final revela falta de responsabilidade fiscal dos candidatos. "Condutas como essas só colaboram para aumentar a frustração dos eleitores, que, ao fim do governo, não veem suas demandas atendidas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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