Eleições na França têm participação estável

Andrei Netto, correspondente

Paris, 23/04/2017

O temor de uma baixa participação do eleitorado no pleito presidencial da França parece estar sendo afastado nesse domingo (23). Até as 17 horas (horário local na França), 69,42% dos franceses já haviam participado do primeiro turno, que designará os dois finalistas da segunda rodada, em 7 de maio. Nas seções eleitorais no território continental, em territórios além-mar e no exterior, filas de espera de mais de uma hora foram registradas. Em Paris e no interior, os candidatos votaram ainda pela manhã, incluindo os favoritos Emmanuel Macron e Marine Le Pen.

Os números parciais da participação nas urnas foram divulgados pelo Ministério do Interior ao meio-dia e às 17h indicam uma participação forte, mas na média em comparação ao último pleito, em 2012. Há cinco anos, o índice às 12 horas havia sido de 28,29%, contra 28,54% neste ano. Às 17h, a participação foi de 70,59% há cinco anos, pouco superior a deste ano.

De acordo com analistas, o temor de um alto índice de abstenção não estaria se confirmando, mesmo com o forte sentimento de rejeição aos partidos políticos tradicionais manifestado por grande parte do eleitorado. As urnas seguirão abertas até as 19h em pequenas e médias cidades e até as 20h em grandes metrópoles, como Paris, Lion ou Marselha.

Os dados divulgados pelo Ministério do Interior até 17h dão ao menos a certeza de que a participação será elevada, entretanto. Miriam Bourouna, 22 anos, estudante, foi uma das eleitoras que deixou para votar no final da tarde. "É a primeira vez que eu votei, porque nesse ano será importante. Na última eleição eu não votei por pensar que não serviria para nada", disse a jovem, que decidiu seu voto após acompanhar os debates pela TV e se informar sobre os programas de governo. "O que me dá medo é a ascensão dos extremos. Já vimos o que aconteceu nos Estados Unidos e espero que possamos evitar essa situação. Votei em um candidato moderado, com boas ideias ", contou.

Eleitor do candidato conservador François Fillon, do partido Republicanos, Jacques M. se disse desmotivado. "Votei para cumprir o meu dever, mas sem entusiasmo. A campanha foi patética. Os escândalos, o ambiente, a mentalidade dos candidatos, tudo foi patético. Não foi à altura de um país como a França ", reclamou. Segundo ele, mesmo atingido em cheio por escândalos de corrupção, Fillon é o candidato "mais sério". "A situação é grave. Estamos diante de aventureiros, e a maior parte não é sério. Fillon é o mais sério, mas seu programa é muito agressivo. Na França não se reforma a golpes de machado, mas com uma lima ", diz ele. Sua mulher, Sophie, lamentou a falta de entusiasmo com os franceses estão indo às urnas. "A cada eleição eu venho votar, porque é nosso dever. Mas não havia nada de entusiasmante nessa campanha ", avalia. "Foi triste perceber que a França está tão dividida", disse ela.

Proibidos de realizar campanha eleitoral, os 11 candidatos ao Palácio do Eliseu transformaram o momento de seus votos em atos políticos. Quatro são considerados favoritos: o social-liberal Emmanuel Macron, a nacionalista Marine Le Pen, o conservador François Fillon e o populista de esquerda Jean-Luc Mélenchon. Pesquisas eleitorais de boca-de-urna seguem proibidas até as 20h, mas existe a expectativa de que os primeiros números possam ser divulgados em veículos de informação no exterior e nas redes sociais.

A campanha eleitoral de 2017 foi marcada pela eliminação de nomes históricos da política francesa, como os ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy, os ex-primeiros-ministros Allain Juppé e Manuel Valls, e por escândalos de corrupção envolvendo Fillon e Le Pen.

Na reta final, porém, o grande tema foi a segurança, já que o país foi alvo de um novo atentado cometido na noite de quinta-feira passada, na Avenida Champs-Elysées, no centro de Paris. Um policial morreu no ataque cometido por um criminoso reincidente, que foi reivindicado pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

A votação na França acontece sob forte esquema de segurança. Mais de 50 mil policiais de militares e civis estão nas ruas e seções eleitorais para proteger os eleitores.

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