Reforma trabalhista

Apoio a Temer na Câmara cai às vésperas de reformas

Rodrigo Burgarelli e Daiene Cardoso

Em Brasília

  • WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Nas primeiras 20 votações nominais do governo Temer, 92% dos deputados seguiram a orientação do Planalto; já nas 20 mais recentes, apenas 68% fizeram o mesmo

    Nas primeiras 20 votações nominais do governo Temer, 92% dos deputados seguiram a orientação do Planalto; já nas 20 mais recentes, apenas 68% fizeram o mesmo

A fidelidade dos deputados federais às orientações do governo Michel Temer no Legislativo vem caindo de maneira constante desde o fim do ano passado. Se em julho de 2016 a média de apoio ao governo na Câmara dos Deputados foi de 91% - o maior índice de governismo já registrado desde 2003 -, em abril deste ano essa taxa caiu para 79%, uma queda de 12 pontos porcentuais.

Os dados são do Basômetro, ferramenta interativa do Estadão Dados que coleta todas as votações nominais ocorridas no Congresso e compara os votos dos deputados com as orientações do governo. Segundo o levantamento, o fim da lua de mel entre Temer e os parlamentares ocorre no exato momento em que algumas das medidas mais importantes para o governo estão prestes a entrar na pauta, como as reformas da Previdência e trabalhista.

Os números revelam que, quanto mais recente o intervalo analisado, maior é a queda do governismo da Câmara. Nas primeiras 20 votações nominais do governo Temer, por exemplo, 92% dos deputados seguiram a orientação do Planalto. Já nas 20 mais recentes, apenas 68% fizeram o mesmo.

Embora o governo Temer tenha se destacado em 2016 com uma taxa de fidelidade recorde na Câmara, a curva de tendência dos últimos meses aponta para uma convergência entre o apoio do peemedebista e a dos ex-presidentes do PT. No acumulado dos primeiros 11 meses de gestão, Temer registra 84% de apoio na Câmara - taxa ligeiramente menor que a do mesmo período da primeira gestão Lula (2003-2006).

Entendimento

O vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), disse acreditar que os índices de fidelidade ao Planalto caíram na proporção que a agenda do Poder Executivo ficou mais reformista e exigiu mais compromisso de sua base aliada. "As propostas ficaram mais duras e mais transformadoras. Precisa de mais entendimento (por parte dos parlamentares). Não é fácil isso", afirmou Perondi.

Segundo Perondi, é natural que os parlamentares se "assustem" com a profundidade das reformas, mas ele disse que o governo está "apertando mais", ou seja, chamando ministros e parlamentares para conversar sobre a necessidade das reformas. "Todos que participam do governo têm responsabilidade", afirmou o vice-líder.

O peemedebista disse ainda que a interlocução na base vem melhorando e os deputados estão compreendendo aos poucos que as reformas são necessárias para a retomada do crescimento econômico. Ele nega que a baixa popularidade de Temer nas últimas pesquisas atrapalhe nas votações. "Governo que só pensa em popularidade vive em uma jaula, não governa o país."

O líder da minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), porém, atribuiu a queda de apoio em plenário ao governo Temer ao aprofundamento da crise política, à falta de perspectiva dos parlamentares para 2018 e também à baixa popularidade de Temer - pesquisa Ibope divulgada no dia 17 deste mês apontou aprovação de 9% ao desempenho do presidente. "Nunca um governo teve um nível de aprovação tão baixo como o Temer. É um governo que não tem quem defenda. Como o deputado vai defender?", questionou o petista.

Ao votar os projetos de interesse do governo, a base pensa mais agora no impacto da aprovação das propostas em suas bases eleitorais, segundo Guimarães. "Deputado que apoia o governo Temer começa a ter medo da reação popular. O feitiço virou contra o feiticeiro", disse o petista, comparando com os tempos da presidente cassada Dilma Rousseff.

'88% de apoio'

Além de dificultar as expectativas legislativas, a queda da taxa de fidelidade atrapalha o discurso de integrantes do Planalto que usavam a alta adesão para defender ações estratégicas. Um exemplo foi a nomeação de Ricardo Barros para ministro da Saúde. Em fevereiro, áudio divulgado pelo Estado mostrou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitindo que a escolha do ex-deputado para a pasta visava a garantir o apoio do PP.

"Nosso objetivo era chegar aos 88% de apoio no Congresso. Não há na história do Brasil um governo que tenha conseguido 88% do Congresso. Isso Vargas não teve, JK não teve, FHC não teve, Lula não teve", afirmou Padilha na ocasião, fazendo referência ao índice de governismo do Basômetro nos primeiros sete meses da gestão de Michel Temer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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