Ex-diretor da OAS afirma a Moro que tríplex estava reservado a Lula

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

São Paulo

  • Moacyr Lopes Junior/Folhapress

    Fachada do tríplex no Guarujá (litoral de São Paulo)

    Fachada do tríplex no Guarujá (litoral de São Paulo)

O ex-diretor da OAS Roberto Moreira Ferreira afirmou nesta quinta-feira (4) ao juiz federal Sérgio Moro que o tríplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá (SP), estava "reservado" para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O executivo foi interrogado em ação penal na qual o petista também é réu.

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio - de um valor de R$ 87 milhões de corrupção - da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao suposto recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do tríplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016.

Segundo nota publicada no site de Lula nessa quinta (4), "Roberto Moreira confirmou depoimento anterior concedido por ele mesmo ao Ministério Público, quando afirmou que a unidade, caso não interessasse ao ex-presidente, poderia ser vendida para outra pessoa." De acordo com o texto, "o depoimento do executivo deixa claro que foi a OAS a única responsável pela reforma no imóvel, que a levou a cabo como esforço de venda para repassar o apartamento ao ex-presidente, através de um contrato de compra e venda, que jamais se realizou." 

Em recente entrevista ao SBT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o MPF (Ministério Público Federal) mentiu ao acusá-lo de ser o proprietário oculto do tríplex. Lula afirmou ainda que não tem que provar sua inocência, mas "eles é que têm que provar minha culpabilidade."

O UOL também enviou mensagem à defesa de Lula às 16h15 desta quinta a respeito da acusação de que o tríplex teria sido reservado para o ex-presidente. Até a última atualização deste texto, a reportagem não havia recebido resposta.

Mais OAS

Roberto Ferreira afirmou que o tríplex "nunca" foi colocado para venda pública. Segundo o ex-diretor, um outro executivo contou a ele "que tinha reserva do apartamento e que não podia ser vendido".

"Eu recebi dele (executivo) uma planilha das unidades que estavam livres ou não para vender e as que estavam livres, eu cuidava, a partir de 2014, de vender as unidades", afirmou. "Um reserva específica para ele (Lula), da unidade 164."

O Ministério Público Federal perguntou ao ex-diretor se a unidade 164-A esteve à venda na planilha.

"Nunca", afirmou.

O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados - eles protestam na Justiça que a empreiteira cobrou valores muito acima do previsto contratualmente. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.

A ex-primeira-dama Marisa Letícia (morta em 2017) assinou Termo de Adesão e Compromisso de Participação com a Bancoop e adquiriu "uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico", atual Solaris, em abril de 2005. Em 2009, a Bancoop repassou o empreendimento à OAS e deu duas opções aos cooperados: solicitar a devolução dos recursos financeiros integralizados no empreendimento ou adquirir uma unidade da OAS, por um valor pré-estabelecido, utilizando, como parte do pagamento, o valor já pago à Cooperativa. Em 2015, Marisa Letícia pediu a restituição dos valores colocados no empreendimento.

O ex-diretor afirmou que "soube ao final de 2013, que a dona Marisa Letícia tinha uma cota dessa unidade 141 e que a unidade 164, tríplex, estava reservada para a dona Marisa e o ex-presidente". O executivo declarou que "soube" que o apartamento 141 foi vendido para um terceiro.

Roberto Moreira Ferreira afirmou que foi um dos responsáveis pela reforma do tríplex. Segundo o executivo, as obras custaram cerca de R$ 1,1 milhão.

"Tinha uma alteração na escada, tinha uma escada que ligava do primeiro pavimento para o segundo do apartamento que era uma escada redonda, helicoidal, muito ruim. Tinha, principalmente, tirar essa escada, fazer uma escada reta, acrescentar um quarto na parte de baixo, colocar piso. O apartamento era entregue no cimento, no contra piso, então, colocar piso em todas as áreas. Fazer um reparo na piscina, tinha um problema de infiltração, que aliás tem até hoje, um problema de infiltração sério na piscina, na cobertura, no último pavimento. Fazer uma adequação no deck lá de cima e colocar uma churrasqueira."

O executivo relatou que houve um pedido "para colocar armários na cozinha, armários nos quartos e colocar também eletrodomésticos".

"Nesse intervalo, houve uma sugestão de Paulo Gordilho (executivo ligado à OAS) para que colocasse um elevador privativo dentro da unidade para facilitar o acesso entre os três pavimentos", relatou.

"Não era passada nenhuma justificativa, era para que fizesse para entregar para o ex-presidente."

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