Avião com 500 quilos de cocaína decolou de fazenda da família de Blairo Maggi

Fabio Serapião, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

De Brasília

  • Sergio Lima - 23.mai.13/Folhapress

    Ministro Blairo Maggi (PR-MT)

    Ministro Blairo Maggi (PR-MT)

A Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou por meio de nota que o avião interceptado com 500 Kg de cocaína neste domingo (25) decolou da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT). A Itamarati Norte pertence ao Grupo Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, segundo informações publicadas no site do grupo. A informação sobre a interceptação da aeronave foi veiculada pelo site MidiaNews, de Mato Grosso.

Segundo a FAB, o avião bimotor, matrícula PT-IIJ, decolou da Fazenda Itamarati Norte com destino a Santo Antonio Leverger (MT). Quando a informação chegou à imprensa, a assessoria de imprensa do ministro afirmou que divulgaria uma nota sobre o assunto na sequência.

A interceptação da aeronave se deu na Operação Ostium. A investigação é coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), da Aeronáutica, em conjunto com a Polícia Federal e outros órgãos de segurança e mira voos irregulares que possam estar ligados a crimes como o narcotráfico.

Divulgação/Polícia Militar do Estado de Goiás
A aeronave foi interceptada na região de Aragarças (GO) e pousou na região rural de Jussara (GO)

Veja a seguir a nota distribuída pela FAB:

"O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica comunica que neste domingo (25/06) um avião A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira interceptou o avião bimotor, matrícula PT-IIJ, na região de Aragarças (GO), resultando na apreensão de cerca de 500 kg de cocaína. A ação faz parte da Operação Ostium para coibir ilícitos transfronteiriços, na qual atuam em conjunto a Força Aérea Brasileira, a Polícia Federal e órgãos de segurança pública.

O avião decolou da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT) com destino a Santo Antonio Leverger (MT).

A interceptação, feita pela aeronave de defesa aérea A-29 Super Tucano da FAB, iniciou-se às 13h17 da tarde deste domingo. O piloto de defesa aérea seguiu o protocolo das medidas de policiamento do espaço aéreo, conforme estabelece a Lei 7565/1986 e o Decreto 5.144/2004, interrogando o piloto do bimotor e comandando, na sequência, a mudança de rota e o pouso obrigatório no aeródromo de Aragarças (GO).

Inicialmente, a aeronave interceptada seguiu as instruções da defesa aérea, mas ao invés de pousar no aeródromo indicado, arremeteu. O piloto da FAB novamente comandou a mudança de rota e solicitou o pouso, porém o avião não respondeu. A partir desse momento, foi classificado como hostil. O A-29 da FAB executou o tiro de aviso - uma medida de persuasão para forçar o piloto da aeronave interceptada a cumprir as determinações da defesa aérea - e voltou a comandar o pouso obrigatório.

O avião interceptado novamente não respondeu e pousou na zona rural do município de Jussara, interior de Goiás.

Um helicóptero da Polícia Militar de Goiás foi acionado e faz buscas no local. O avião será removido para o quartel da Polícia Militar de Goiás em Jussara. A droga apreendida será encaminhada para a Polícia Federal em Goiânia."

Divulgação/PM-GO
Detalhe da aeronave

Amaggi diz não ter ligação com aeronave e que não autorizou pouso/decolagem

O grupo Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta segunda-feira, 26, em nota, não ter qualquer ligação com a aeronave interceptada pela Força Aérea Brasileira (FAB) com 500 quilos de cocaína e que decolou da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT), de propriedade da família. No comunicado, a companhia afirma que "não emitiu autorização para pouso/decolagem" da aeronave "em qualquer uma de suas pistas".

A Amaggi informa que a parte da fazenda Itamarati arrendada pela empresa tem 11 pistas autorizadas para pouso eventual "(apropriadas para a operação de aviões agrícolas, o que não demanda vigilância permanente), localizadas em pontos esparsos de 54,3 mil hectares de extensão".

Segundo a Amaggi, a região de Campo Novo do Parecis "tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas", dada a proximidade com a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. "Tal vulnerabilidade acomete também as fazendas localizadas na região. Em abril deste ano a Amaggi chegou a prestar apoio a uma operação da Polícia Federal (PF), quando a mesma foi informada de que uma aeronave clandestina pousaria com cerca de 400 kg de entorpecentes (conforme noticiado à época) em uma das pistas auxiliares da fazenda. Na ocasião, a PF realizou ação de interceptação com total apoio da Amaggi, a qual resultou bem-sucedida."

A empresa diz aguardar o desenrolar das investigações sobre a propriedade da aeronave e as circunstâncias em que ela teria pousado na fazenda Itamarati e decolado de lá e se colocou à disposição das autoridades "para prestar todo apoio possível às investigações do caso".

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