Vice-líder do PMDB na Câmara diz que PF está de parabéns por prisão de Geddel

Igor Gadelha

Em Brasília

  • Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

    Marun admitiu que a prisão de Geddel, ex-ministro de Temer, não é boa para o PMDB

    Marun admitiu que a prisão de Geddel, ex-ministro de Temer, não é boa para o PMDB

Vice-líder do PMDB na Câmara, o deputado Carlos Marun (MS) afirmou nesta sexta-feira (8) que a Polícia Federal está de parabéns pela prisão do ex-ministro peemedebista Geddel Vieira Lima. Para o parlamentar, a prisão do correligionário entristece os integrantes da legenda, mas mostra que a PF cumpriu seu trabalho de investigação, sem ficar presa apenas a fala de delatores.

"Claro que entristece, mas é resultado das investigações. Isso prova que a delação deve ser meio de prova para que haja a investigação. A PF investigou e chegou a esse resultado que foi estampado por todos os jornais. Está de parabéns a Polícia Federal, que não ficou como muitos preguiçosos, que só ficam com a delação premiada", disse o parlamentar.

Marun admitiu que a prisão de Geddel, ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer, não é boa para o PMDB, mas tentou afastar os possíveis crimes do ex-ministro da legenda.

"Bom não é, mas é uma coisa que está concentrada na pessoa dele", afirmou. Segundo ele, por enquanto, o partido não deve tomar nenhuma atitude contra o ex-ministro. "O pior que podia acontecer já aconteceu, que foi ele está preso", declarou.

O líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), também tentou afastar ligação de Geddel com a sigla. "Ele não tem nada a ver com o PT, foi indicação do Michel Temer", disse o petista, ao se referir à indicação de Geddel para comandar o Ministério da Integração Nacional durante o segundo governo Lula.

"Ninguém sabia que ele tinha aquelas malas de dinheiro. Você vai adivinhar? Foi uma indicação política", disse.

Foto: ABr
Geddel foi preso pela PF em seu apartamento em Salvador

Prisão

A Polícia Federal prendeu Geddel na manhã desta sexta-feira (8) em Salvador por decisão da 10ª Vara de Brasília. Ele foi detido no prédio em que já cumpria prisão domiciliar, no bairro Jardim Apipema, por volta das 5h40. A medida é mais uma fase da Operação Cui Bono, um desdobramento da Lava Jato conduzido pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal. O ex-ministro deverá ficar preso em Brasília.

A prisão aconteceu três dias após a PF encontrar R$ 51 milhões de Geddel em um apartamento na capital soteropolitana que teria sido emprestado ao ex-ministro por um empresário amigo. O valor estava distribuído em oito caixas e seis malas. Os policiais acharam as digitais de Geddel no imóvel. Os valores apreendidos serão transportados a um banco, onde será depositado em conta judicial.

Divulgação
Malas de dinheiro em endereço atribuído a Geddel Vieira Lima em Salvador

Próximo a Temer, Geddel foi ministro de Lula e Temer

Geddel é um dos integrantes do PMDB mais próximos do presidente Michel Temer (PMDB). Ele foi ministro da Integração Nacional durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre 2007 e 2010. No governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

No governo Temer, ele foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em novembro de 2016, porém, ele pediu demissão do cargo após ver seu nome envolvido em uma polêmica com o então ministro da Cultura Marcelo Calero.

O peemedebista foi acusado por Calero de ter o pressionado para que obras de um edifício no qual Geddel teria um apartamento fossem liberadas por órgãos ligados ao Ministério da Cultura. À época, Geddel negou seu envolvimento no caso.

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