Operação Lava Jato

Pezão pediu nomeação para o TRE do Rio

Julia Affonso

Em São Paulo

  • Wilton Junior/Estadão Conteúdo

    Pedido de Pezão foi feito no mesmo dia em que Picciani (ao fundo) e Temer se reuniram

    Pedido de Pezão foi feito no mesmo dia em que Picciani (ao fundo) e Temer se reuniram

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), pediu ajuda ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), para reconduzir o defensor público Hebert de Souza Cohn ao Tribunal Regional Eleitoral. A troca de mensagens foi apreendida no celular de Picciani, um dos alvos da operação de terça-feira (14) da Polícia Federal, que investiga o pagamento de propina a deputados fluminenses por empresários ligados ao setor de transporte do Rio. Um mês antes do pedido, Cohn votou contra a cassação da chapa eleitoral de Pezão ao governo.

De acordo com as investigações, no dia 28 de março, o governador do Rio encaminhou o pedido por WhatsApp a Picciani: "Presidente, quando estiver com o Presidente hoje, reforça com ele para pedir aos líderes o apoio ao projeto de recuperação fiscal e, se tiver chance, pede pra ele reconduzir o Herbert no TRE, importantíssimo".

Naquele dia, segundo os investigadores da Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato que levou Picciani para a depor ontem e prendeu seu filho Felipe Picciani, o presidente Alerj se reuniu com o presidente Michel Temer (PMDB) para obter apoio financeiro ao Rio. O encontro consta na agenda oficial de Temer.

No dia 29 de maio, a recondução de Cohn ao Tribunal foi publicada no Diário Oficial. O defensor público tomou posse como membro suplente do TRE-RJ em 26 de junho. De acordo com a Constituição, cabe ao presidente da República nomear dois membros para os Tribunais Regionais Eleitorais.

Apesar do voto de Herbert contra a cassação de Pezão e seu vice Francisco Dornelles (PP) por abuso de poder econômico e político, o TRE acabou cassando o mandato do governador por 3 a 2. Pezão recorre da decisão no cargo.

Pezão e Cohn não quiseram se manifestar. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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