Família reprova atitude de brasileiro que planejou sua prisão na Venezuela

Aline Torres, especial para O Estado

  • Reprodução/Facebook

A família de Jonatan Moisés Diniz, o brasileiro que diz ter sido preso propositalmente para chamar a atenção sobre a crise na Venezuela, divulgou um comunicado nesta sexta-feira, 12, na qual afirma desconhecer completamente a "atitude reprovável" dele.

Detido na Venezuela no fim de dezembro, ele mobilizou esforços do Itamaraty pela sua libertação para depois dizer que planejou ser detido pelo chavismo. A motivação de Jonatan foi apresentada em um vídeo de pouco mais de cinco minutos exibido durante apresentação de sua ONG Time to Change the Earth (Tempo de mudar a Terra), na tarde de quinta-feira, 11, em Balneário Camboriú.

"Jamais imaginamos que sua prisão fosse resultado de um ato premeditado. Ficamos estarrecidos ao tomar conhecimento das declarações contidas no vídeo", diz a família no texto.

Os parentes também se mostraram envergonhados pela força-tarefa criada para libertar o brasileiro. Jonatan passou 11 dias na prisão. "Após recebida a notícia de sua prisão, a família ficou sem chão. Desde 26 de dezembro de 2017 não houve mais contato e as mensagens enviadas apareciam como não tendo sido recebidas. Também não havia qualquer notícia sobre seu real paradeiro. Só restava à família conseguir o apoio possível em busca de notícias", acrescenta o texto. "Por isso, além de agradecer o apoio de todos para tirá-lo da prisão, pedimos sinceras desculpas."

Por fim, eles declaram que não se envolverão mais no caso e não responderão a outros questionamentos da imprensa. "Tudo que tínhamos que dizer já foi dito, e deste momento em diante só quem responde pelo Jonatan é ele próprio. Obrigado, de coração, a todos que nos ajudaram a superar este episódio. Esperamos que Jonatan possa entender e encontrar o melhor caminho para suas ações sociais".

Versão

Em entrevista, Jonatan disse que não queria chamar atenção para si. Segundo ele, "a mídia que desvia o foco". O brasileiro diz ter conversado com a mãe por telefone durante quase uma hora e ela estava aflita, com medo das críticas que ele tem recebido. Jonatan, porém, diz não se importar com isso, pois está convicto de que "fez o melhor para salvar as crianças".

Nas redes sociais, Jonatan diz ter recebido diversas mensagens de ódio. Ele contou que forçou a prisão para que a mídia "voltasse seus olhos para as crianças que passam fome na Venezuela". Também disse que quando morava lá chorava todos os dias por esse cenário trágico e que tem muitas fotos, mas que "não irá divulga-las porque deseja passar apenas mensagens positivas".

Sobre a nota, ele disse que não fala muito com a família. Jonatan disse que havia participado entre maio e agosto de protestos contra o governo Maduro e que para ser preso convocou os venezuelanos a limparem a sujeira das ruas. "Como eu era gringo pensaram que eu estava lá para desestabilizar o governo", explicou.

Veridiana Maraschin, 20 anos, escolhida para ser presidente da ONG, quando ela for criada, também disse que ficou surpresa ao ouvir o relato de Jonatan. "Não tivemos tempo de assistir o vídeo antes da apresentação. Não sabíamos de nada" disse.

Ela conheceu Jonatan quando tinha 17 anos por intermédio de uma amiga em Balneário Camboriú. A ideia de criar a ONG surgiu neste ano em conversas pela internet. A organização tem outros cinco participantes, incluindo, um catarinense, um gaúcho, dois paulistanos e um colombiano.

Segundo Veridiana, a ONG ainda não está formalizada e não tem contas em bancos. A arrecadação para ir à Venezuela foi feita por Jonatan com ajuda de amigos. Ele explicou ao grupo que escolheu a Venezuela por ter uma ligação sentimental. Em 2016, passou dez dias no país durante um mochilão e no ano passado outros três meses.

Críticas

A Comissão de Direitos Humanos da OAB de Balneário Camboriú, que se envolveu nas tratativas para libertá-lo, também emitiu uma nota classificando a atitude do brasileiro de "egoísta, vaidosa, irresponsável, desnecessária e desrespeitosa com centenas de pessoas dos dois países que envidaram esforços para preservar sua integridade física, e obter sua libertação". "Não acreditamos que de uma mentira seja possível nascer algo capaz de fazer o bem às pessoas, e mais que isso, não acreditamos que alguém que seja capaz de tamanha irresponsabilidade, tenha condições de cuidar de quem quer que seja."

Internação psiquiátrica

Diniz declarou que já esteve internado com problemas psiquiátricos. "Fui internado porque tenho uma mediunidade", disse. "Uma prisão de 11 dias na Venezuela não é nada comparado às minhas internações." 

"Foram seis internações. Quatro vezes, em 2012, e duas, em 2015. Fui internado porque tenho uma mediunidade. Eu estudo tudo o que é religião, cultura, filosofia. Eu sou médium. Recebo mensagens. Mas sempre disse que ser um médium famoso é fácil. Difícil é ser um médium desconhecido. Já me chamaram de bipolar, de esquizofrênico. A prisão de 11 dias na Venezuela não é nada comparada às minhas internações. Vocês não sabem o que é sofrer no hospital. Na cadeia, pelo menos, ninguém me segura e me injeta drogas à força. Nunca queira ir para um hospício, porque aquilo sim é um inferno."

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