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Temer aceita pedido de demissão de ministro do Trabalho afastado por suspeita de fraudes

O ex-ministro do Trabalho Helton Yomura - José Cruz/Agência Brasil
O ex-ministro do Trabalho Helton Yomura Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Julia Lindner e Leonencio Nossa

Brasília

05/07/2018 19h29

Em nota, o presidente Michel Temer confirmou que aceitou o pedido de demissão do ministro afastado do Trabalho, Helton Yomura, nesta quinta-feira (5). A informação foi antecipada pela Coluna do Estadão.

"O presidente Michel Temer recebeu e aceitou o pedido de exoneração do ministro do Trabalho, Helton Yomura. O presidente agradeceu sua dedicação à frente da pasta", diz texto da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.

Ainda não há informações sobre quem será o sucessor de Yomura, mas, segundo fontes do governo, a expectativa é de que o novo nome não deve ser indicado pelo PTB, como era o caso de Yomura. A decisão deve ser tomada por Temer ainda esta semana.

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O agora ex-ministro foi um dos alvos nesta manhã da 3ª fase da Operação Registro Espúrio, da Polícia Federal, que tem como objetivo aprofundar as investigações a respeito de organização criminosa que atua na concessão fraudulenta de registros sindicais no Ministério do Trabalho.

De acordo com a PF, as investigações nas outras fases --em maio e junho-- levaram à descoberta da participação de mais pessoas nos esquemas. Elas apontam que "importantes cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com indivíduos comprometidos com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas praticadas na pasta", diz a polícia. O deputado federal Nelson Marquezelli, vice-líder do PTB, também é investigado. 

Yomura apresentou o pedido de exoneração após ser afastado do cargo pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A demissão ocorreu em acordo com a cúpula do PTB. A avaliação de petebistas é de que seria "nobre" Yomura formalizar a sua saída da pasta. O presidente da sigla, Roberto Jefferson, e o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, deixaram claro para o governo que o cargo estaria à disposição de Temer e que o presidente teria "total liberdade" para escolher o sucessor de Yomura, ou seja, alguém sem vínculo com a sigla.

Desta forma, interlocutores do PTB avaliam que a legenda já deu a sua contribuição ao governo e não precisará mais se comprometer com ele no Congresso. Na próxima semana, o partido deve anunciar seu apoio ao pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin.

Roberto Jefferson também foi alvo de outra fase da mesma operação junto com a sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). Além disso, o posto de secretário executivo da pasta está vazio, pois o ex-secretário Leonardo Arantes, sobrinho de Jovair Arantes, teve sua prisão preventiva decretada há um mês, em outra fase da operação.

Mais cedo, Jefferson postou no Twitter que a "Executiva Nacional do PTB coloca o Ministério do Trabalho à disposição do governo Michel Temer". Ele admitiu que garantiu "apoio político" para que a legenda assumisse a pasta, mas negou participação em possíveis irregularidades.