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Apenas nesta madrugada, choveu 66% do total esperado para todo o mês de fevereiro

Fortes chuvas causam alagamento na região do Terminal Barra Funda, na zona oeste de São Paulo - MARCIA ANUNCIAÇÃO/ESTADÃO CONTEÚDO
Fortes chuvas causam alagamento na região do Terminal Barra Funda, na zona oeste de São Paulo Imagem: MARCIA ANUNCIAÇÃO/ESTADÃO CONTEÚDO

João Ker, Daniel Silveira e Ana Paula Niederauer

10/02/2020 17h50

Um forte temporal atingiu a capital na madrugada desta segunda-feira, 10, elevando o volume de chuva dos dez primeiros dias de fevereiro a 208 milímetros, o equivalente a 96% da previsão para todo o mês. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta é a pior chuva de São Paulo para um mês de fevereiro desde 1983.

Ao todo, foram registrados 132 pontos de alagamentos na grande São Paulo durante o início do dia, 66 deles intransitáveis, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climática da Prefeitura de São Paulo (CGE). Os bairros de alerta pela manhã eram Ipiranga, Butantã, Tremembé e Perus.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o rodízio de carros está suspenso para veículos leves e caminhões. No entanto, permanece a restrição para circulação de caminhões e fretados nas zonas em que já são impedidos de circularem. A empresa bloqueou o acesso à Marquês de São Vicente.

O temporal ultrapassou o recorde do nível de água do rio Pinheiros, marcando 719.6mm. Este é o maior valor já registrado desde 2005, quando o rio chegou a 718.9mm, de acordo com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. O órgão afirma que, apenas nesta madrugada, choveu 66% do total esperado para todo o mês de fevereiro.

"Mudança climática não é discurso de ambientalista. Está chovendo nessa década o que não choveu no século passado", afirma Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, ao Estado. De acordo com ele, os mais de 78 pontos de alagamento registrado pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climática (CGE) aconteceram porque o volume de chuva ultrapassou o que estava previsto na série histórica de 100 anos, usada para calcular o sistema de drenagem das chuvas. "Tudo foi implantado com essa lógica."

Até as 6h05, o CGE da Prefeitura de São Paulo registrava 56 pontos de alagamento, sendo 49 deles intransitáveis. Na Zona Norte, só a Casa Verde registra sete pontos de alagamento, todos eles sem possibilidade de trânsito. A Lapa é a região da cidade com o maior números de pontos alagados totalizando 20 regiões críticas. A Marginal Tietê está interrompida e alguns pontos da Marginal Pinheiros permanecem alagados.

A orientação do órgão é para que as pessoas não saiam de casa ou tentem enfrentar o temporal e os alagamentos. O porta-voz do Corpo de Bombeiros, capitão Marcos Palumbo, informou ao jornal O Estado de S. Paulo que a corporação recebeu 4090 chamados desde a noite deste domingo, 9, até manhã desta segunda-feira. Entre meia-noite e 11h30, foram registradas 546 enchentes, 97 quedas de árvores e 88 desabamentos e desmoronamentos.

Segundo Palumbo, no momento equipes do Corpo de Bombeiros estão em 179 atendimentos. Não há informações de vítimas fatais. Uma adolescente de 16 anos foi atendida com escoriações em decorrência de desabamento em Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo.

Além disso, de acordo com a CPTM, as chuvas provocaram alagamentos na Linha 9 - Esmeralda e os trens não estão circulando entre as estações Osasco e Santo Amaro. Ainda segundo o órgão, os passageiros aguardam a chegada de ônibus para atender o trajeto. Das sete linhas de trem, cinco operam normalmente. A Linha Diamante também opera parcialmente, com interrupção entre Comandante Sampaio e Itapevi.

A CMSP, entretanto, afirma que o metrô funciona normalmente em todas as linhas.

Previsão do tempo

De acordo com o CGE, a previsão é que a chuva continue ao longo de todo o dia e, no final da manhã, já atinja o nível moderado. A temperatura pode variar entre 18º e 22ºC.

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