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Cúpula tucana avalia que carta de Doria é sinal de 'quase rompimento' com o PSDB

11.abr.2022 - O ex-governador de SP João Doria durante evento do grupo Lide, do qual é fundador, em São Paulo - Fredy Uehara/LIDE
11.abr.2022 - O ex-governador de SP João Doria durante evento do grupo Lide, do qual é fundador, em São Paulo Imagem: Fredy Uehara/LIDE

Lauriberto Pompeu

Do Estadão Conteúdo, em Brasília

15/05/2022 16h57

O comando nacional do PSDB está irritado com a iniciativa do ex-governador João Doria (PSDB-SP) de questionar a decisão do partido de tentar uma aliança com o MDB.

A aliados, o presidente da legenda, Bruno Araújo, disse que a carta do paulista em que acusa a sigla de "golpe" e "tapetão" é um sinal de "quase rompimento" com o PSDB, que ao fazer isso Doria "politicamente assume que não tem um partido" e que ele está entrando "em guerra" contra toda a Executiva tucana.

A carta do ex-governador foi enviada no sábado (14), e imediatamente Araújo reagiu convocando reunião da Executiva Nacional do partido para a terça-feira (17) para discutir o teor do documento.

Dentro da cúpula tucana, a avaliação é de que uma candidatura presidencial de Doria, por sua rejeição no País, "mata" o governador Rodrigo Garcia (PSDB-SP) e consequentemente a chance de o partido permanecer governando o maior Estado do Brasil.

O ex-governador de São Paulo, que venceu as prévias do PSDB e é o pré-candidato da sigla à Presidência, rejeita fazer neste momento uma aliança com o MDB, que tem a senadora Simone Tebet (MS) como presidenciável.

As duas legendas contrataram pesquisas quantitativas e qualitativa para tentar chegar a um consenso e definir uma candidatura presidencial única. Os resultados devem ser divulgados na quarta-feira, 18, um dia depois da reunião da Executiva do PSDB.

O paulista e seus aliados costumam dizer que o estatuto do PSDB garante a ele a prerrogativa de abrir ou não mão de ser candidato. O ex-governador prometeu levar a questão à Justiça caso o seu partido declare apoio a Simone. Bruno Araújo já avisou que não aceita o argumento e que as prévias não consultaram os filiados sobre coligação com outros partidos, ou seja, não podem impedir que o PSDB se junte a outras forças partidárias.

A cúpula do partido também afirma que o diálogo com o MDB foi iniciado junto com o próprio Doria e que agora, na prorrogação do segundo tempo, ele não quer aceitar as regras do jogo, questionando o resultado da pesquisa antes mesmo de ser divulgado.

Apesar do clima hostil com os caciques do partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se manifestou nas redes sociais neste domingo (15) elogiando Doria pela atitude.

Tanto Doria quanto seu o principal rival na legenda, o deputado Aécio Neves (MG), reclamam que os critérios adotados pelos dois partidos foram feitos sob medida para beneficiar a senadora do MDB, que tem menos rejeição nas últimas pesquisas.

O mineiro, adversário de Doria, também é contra um "aliança automática" com o MDB e diz que Araújo dá prioridade a Garcia em detrimento de outros da legenda. No entanto, Aécio prefere que o partido escolha outro tucano que não o ex-governador paulista para disputar a eleição e chama a pré-candidatura de Doria de "artificial".

Assim como o ex-governador de São Paulo, Aécio também disse que não vai reconhecer a decisão do partido caso seja por apoio ao MDB nesta semana. "A prerrogativa para fazer qualquer tipo de aliança em uma eleição presidencial é da convenção do partido, não é do presidente (do PSDB), não é da Executiva e não é das bancadas", afirmou.

"Querem retirar a candidatura do Doria com a mão do gato, com a mão do MDB. Se querem tirar, façam de frente, com clareza e coragem. Isso que está faltando no PSDB. Ou então façam o inverso, apoiem a candidatura de Doria", disse o ex-governador de Minas.

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