Macri enfrenta protesto nacional de movimentos sociais

BUENOS AIRES, 24 FEV (ANSA) -Uma multidão se mobilizou nesta quarta-feira (24) em Buenos Aires e nas principais cidades argentinas para protestar contra as políticas de ajustes econômicos do Mauricio Macri, que tomou posse em dezembro. As manifestações foram convocadas por sindicatos trabalhistas, organizações que reúnem funcionários públicos, partidos de esquerda, entidades sociais e estudantis. Eles alegam que a gestão de Macri tem apoiado demissões em massa e que ao menos 27 mil pessoas já teriam perdido seus empregos em cargos públicos. O governo se defende dizendo que os funcionários exonerados não cumpriam suas jornadas ou eram fantasmas. A maioria tinha sido nomeada na gestão anterior da presidente Cristina Kirchner.   

Este foi o primeiro grande protesto contra o modelo econômico defendido por Macri, que já adotou medidas para retomar o crescimento do país e reajustar as contas públicas. Entre elas, está o aumento de 350% na conta de luz residencial e de 600% em grandes empresas. Em sua campanha eleitoral, Macri prometeu investir em obras de infraestrutura, aumentar a produção agropecuária e construir escolas e moradorias sociais. Ele é favorável ao regime de câmbio flutuante e à liberação de importações. Macri também lançou o "Plano Belgrano", que visa a desembolsar US$ 16 bilhões em uma década para desenvolver a economia do norte da Argentina, onde há focos de pobreza extrema. Os protestos coincidiram com o protoloco "antipiquetes" lançado pelo Ministério da Saúde. Apesar da medida, que tenta evitar grandes manifestações, os movimentos sociais conseguiram fechar avenidas importantes de Buenos Aires e vias de acesso a municípios do interior. "Não houve nenhuma intenção de aplicar o protocolo, mas, mesmo que as autoridades quisessem, teria sido impossível, diante de tanta adesão do público", disse à ANSA Ricardo Peidro, secretário-adjunto da CTA Autónoma, central sindical que se tornou a principal opositora do governo Macri. Em Buenos Aires, o protesto foi iniciado por volta do meio-dia, sob uma temperatura de 35ºC. Os manifestantes percorreram um prajeto até a Praça de Maio, mas logo se dispersaram devido ao calor.   

Ditadura - Depois de ter entrado em conflito com as ativistas da associação Avós da Praça de Maio, o presidente argentino se reuniu ontem (23) com representantes do grupo e tentou amenizar as divergências. Em um encontro de 45 minutos, as ativistas demonstraram preocupação com uma marcha que está marcada para 24 de março, em Buenos Aires, data que marca os 40 anos do golpe de Estado militar na Argentina. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá estar no país, o que gerou crítica devido ao apoio de Washington ao regime militar. As Avós da Praça de Maio, que buscam filhos de vítimas da ditadura, temem que Macri, um político da centro-direita, interrompa os julgamentos de processos militares. (ANA)
Veja mais notícias, fotos e vídeos em www.ansabrasil.com.br.


Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos