Senado argentino aprova lei que permite pagamento de Abutres

BUENOS AIRES, 31 MAR (ANSA) - Após quase 15 horas de debate, o Senado da Argentina aprovou nesta quinta-feira, dia 31, a revogação das normas que impedem o pagamento dos fundos de investimentos detentores de títulos da dívida do país não renegociados, chamados pelos kirchneristas de "Abutres".   

A iniciativa, que começou a ser debatida na última quarta-feira, dia 30, e foi aprovada por volta da 1h, e teve 54 votos a favor e 16 contra, apesar do partido governista não ter maioria na casa.   

O projeto, que revoga as normas conhecidas como "Ley Cerrojo" e Pagamento Soberano, que impedem o pagamento dos investidores, já havia sido aprovado há cerca de duas semanas na Câmara de Deputados.   

O governo também conseguiu apoio para emitir títulos no valor de US$ 12,5 bilhões. Muitos setores têm medo que, com as dívidas contraídas pelo país, Buenos Aires volte a sofrer com políticas econômicas ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).   

Além disso, os argentinos não esqueceram a crise financeira do começo dos anos 2000 e têm medo de passar por um cenário semelhante.   

Com a aprovação da medida, chega ao fim uma disputa de anos do governo de Buenos Aires com os "Fundos Abutres". A resolução da contenda mostra claramente a guinada do país após a posse do neoliberal Mauricio Macri, em dezembro do ano passado.   

Histórico - Recentemente, o juiz norte-americano Thomas Griesa, responsável pela contenda jurídica entre os fundos de investimentos e o governo de Buenos Aires, levantou as medidas cautelares que impediam o país de pagar os credores que aceitaram a renegociação da dívida diante da condição de que as normas fossem suspensas até 14 de abril. Um tribunal norte-americano recusou em junho de 2014 o recurso apresentado por Buenos Aires para revisar a ordem de pagamento dos títulos da dívida pública argentina, comprados quando o país declarou moratória, em 2001, não renegociados, e ordenou seu pagamento. Os "abutres" não aceitaram o projeto proposto pelo governo de Cristina Kirchner de pagar um valor renegociado. A ex-mandatária, por sua vez, acusava os fundos de tentar extorquir o governo. Os outros 92% de credores, no entanto, concordaram em receber valores menores e perdoar os juros, mas só poderiam ser pagos após os fundos de investimentos. Com moratória técnica por conta dos trâmites judiciais, Macri tentava articular um acordo, a fim de voltar a tomar empréstimos no exterior para financiar obras públicas, sua estratégia para retomar a economia local. (ANSA)
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