Farc aceita trégua e encerra mais de meio século de conflito

BOGOTÁ, 23 JUN (ANSA) - Com a assinatura do cessar-fogo bilateral entre o governo de Bogotá e o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nesta quinta-feira, dia 23, se concretiza o caminho para o final do conflito armado no país, que já dura mais de meio século. Confira cronologia do grupo: No final dos anos 1940, a Colômbia passou por um período de conflitos entre liberais e conservadores conhecido como "La Violência". Milhares de pessoas morreram e muitos grupos de camponeses se uniram aos comunistas para se armar e se defender; era a origem do grupo.   

1964 - Após um ataque militar, é criado oficialmente o grupo guerrilheiro Farc. De orientação marxista, seus militantes defendiam a implementação de um Estado socialista e da reforma agrária.   

1978 - É instituído o Secretariado, organizando ainda mais a direção das Farc, e abrindo caminho para um crescimento sem precedentes nos anos seguintes.   

Até os anos 1980, o grupo cresceu de forma relativamente lenta, contando com cerca de mil homens. A partir desta década, no entanto, o grupo cresce muito, tornando-se uma das maiores ameaças do governo, especialmente após seu envolvimento com o narcotráfico para poder se financiar as atividades. O grupo vai perdendo popularidade, no entanto, especialmente após uma onda de sequestros, extorsões, torturas e atentados, que deixaram milhares de civis mortos.   

Em 1990 morre Jacobo Arenas, considerado principal líder e idealizador do grupo, de causas naturais. Grupo continua a crescer com as atividades ilegais.   

Nos anos 2000, o governo dos Estados Unidos enviou bilhões de dólares para financiar operações contra o narcotráfico e as ações insurgentes no chamado "Plano Colômbia". A ação ajudou a enfraquecer o grupo e resultou na morte de diversos de seus comandantes. 2002 - Tentativa de negociação de paz cai por terra após rebeldes sequestrarem um senador. 2008 - As Farc, que costumavam sequestrar fazendeiros, políticos e soldados, que algumas vezes chegavam a ficar presos por anos, liberta em 2008 a ex-candidata a Presidência Ingrid Betancourt, meses após sua ex-aliada Clara Rojas, que teve um filho durante o cativeiro. O menino, chamado Emmanuel, permaneceu desaparecido por anos, após ser entregue a camponeses.   

Neste mesmo ano morre Raúl Reyes, número dois do grupo, em ação das tropas colombianas no Equador. Meses mais tarde, morre o líder histórico Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo, após um infarto. Ele é substituído por Alfonso Cano.   

2011 - Cano morre em uma operação militar.   

2012 - O presidente Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa, confirma o início das negociações de paz em Havana, sob o intermédio de Cuba e Noruega. Morte de líderes e avanços do Exército haviam enfraquecido o grupo.   

2013 - Santos ameaça deixar negociações se não fossem apresentados avanços nas conversas. Seis meses após início dos diálogos, partes envolvidas anunciam acordo sobre primeiro ponto da agenda, a política de desenvolvimento agrário. Até o final do ano, o segundo ponto, a participação política dos membros das Farc, também seria acordado.   

Em agosto, pela primeira vez as Farc admitem que, ao longo do conflito, foram deixadas vítimas e pedem a criação de uma Comissão da Verdade sobre os crimes de lesa humanidade cometidos.   

2014 - Ao longo deste ano, as partes realizaram quatro ciclos de negociações sobre o terceiro ponto da agenda, sobre o problema das drogas ilícitas.   

2015 - O governo de Bogotá e as Farc anunciaram no final do ano um acordo sobre a espinhosa questão das consequências judiciais do conflito, o que abriu caminho para colocar um fim definitivo ao caso. A questão do modelo de justiça que seria aplicado para garantir os direitos das vítimas do conflito era um dos principais entraves das negociações de paz entre os dois lados e um acordo foi anunciado para o dia 23 de março, seis meses mais tarde.   

2016 - Acordo previsto para março é postergado indefinidamente.   

Nesta semana, no entanto, Santos falou em uma nova data, que deve acontecer até 20 de julho, e hoje foi assinado acordo de cessar-fogo bilateral, algo que não acontecia desde 1984.   

Desde que as Farc foram criadas, no começo dos anos 1960, estima-se que o conflito com Bogotá tenha deixado mais de 220 mil mortos, quase 50 mil desaparecidos e 6,6 milhões de deslocados. (ANSA)
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