Um dia após acordo com Farc, colombianos pensam em referendo

Por Oscar Escamilla BOGOTÁ, 27 SET (ANSA) - Um dia após a assinatura do histórico acordo de paz entre o governo de Bogotá e o grupo guerrilheiro Farc, a atenção dos colombianos agora está voltada para o plebiscito marcado para o próximo domingo, dia 2, que decidirá sobre a legitimidade do documento.   

Toda a carga simbólica do dia anterior -- pessoas vestidas de branco, a liderança das Farc pedindo perdão, o sobrevoo dos aviões que atemorizavam a guerrilha e o minuto de silêncio para as vítimas -- é agora uma memória e no horizonte está a votação.   

Enquanto entre a comunidade internacional o acordo foi altamente elogiado, existe uma forte polarização no interior da Colômbia.   

Muitos colombianos ainda veem os guerrilheiros com receio após anos de violência e sofrimento. Opositores ao acordo são contra o que consideram uma "anistia" aos militantes mesmo após décadas de crimes.   

Calcula-se que, desde o começo dos anos 1960, quando o grupo foi fundando, mais 220 mil pessoas morreram, quase 50 mil seguem desaparecidas e 6,6 milhões tiveram que deixar seus lares por conta da violência causada pelo conflito armado.   

Desta forma, a tensão entre aqueles que são a favor e os que são contrários ao acordo se destacou nesta terça-feira, especialmente após a divulgação das últimas pesquisas, onde o "Sim" continua a frente.   

O negociador chefe do governo colombiano, Humberto de la Calle, advertiu que a população não pode se descuidar, temendo que aconteça algo semelhante ao "Brexit". As pesquisas apontam uma vitória do "Não" em junho, quando os britânicos votaram em referendo pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), pegando as autoridades locais de surpresa. "Eu acho que não devemos estar tranquilos nem triunfalistas", acrescentou de la Calle, após dizer que não podem menosprezar os setores da sociedade que desconfiam das promessas das Farc.   

Segundo ele, o domingo "será um dia chave no qual teremos que fazer um segundo acordo de paz".   

Ele ainda acredita que, se o acordo não for aprovado pela população, uma nova negociação com os guerrilheiros é altamente improvável e deve haver uma "radicalização" do grupo, assim como a volta dos confrontos.   

De la Calle concluiu dizendo que é preciso estabelecer um "acordo nacional" baseado na clareza de que a "construção da paz é um trabalho coletivo" e reconhecer o "perdão" oferecido à Farc e seus compromissos com a pacificação.   

As negociações de paz, que levaram quase quatro anos, aconteceram em Havana, Cuba, e, com a assinatura do acordo na última segunda-feira, dia 26, deram fim a mais de 50 anos de conflitos armados no país. (ANSA)
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