'Terroristas são europeus, e não imigrantes', diz Boschi

Por Beatriz Farrugia SÃO PAULO, 30 SET (ANSA) - Em visita ao Brasil, a ministra italiana Maria Elena Boschi afirmou nesta sexta-feira (30) que a Europa precisa se acostumar com o fluxo imigratório, pois representa "uma nova realidade", e que é errado pensar que os estrangeiros são os responsáveis pelo terrorismo. "A crise imigratória não é uma emergência de curto prazo, mas uma nova realidade", disse Boschi, ministra para as Reformas Constitucionais e Relações com o Parlamento, ao participar nesta manhã de um evento na Fundação Fernando Henrique Cardoso (FHC), em São Paulo.   

"Se as pessoas morrem em guerras ou por falta de alimentos, é errado pensar que vão parar de viajar para salvarem a própria vida", disse. Segundo Boschi, os xenofóbicos se aproveitam da crise para gerar "o ódio contra os estrangeiros", mas a verdade é que "os terroristas são europeus".   

"Alguns países e partidos geram medo na população, insegurança nos cidadãos e ódio contra os estrangeiros. Porém, os terroristas dos atentados recentes eram europeus, cidadãos que viviam nas nossas cidades, frequentavam nossas escolas", disse Boschi. "Alguns países, ao fecharem suas fronteiras, acabaram bloqueando os terroristas dentro das nossas cidades, porque eles eram cidadãos europeus". De acordo com Boschi, é preciso investir na cultura e na educação para que os imigrantes se sintam parte da Europa. "O terrorismo internacional feriu a Europa nos últimos anos. Atacou Bruxelas e Paris, mas atingiu, principalmente, a democracia, o direito democrático e a liberdade", disse Boschi, referindo-se aos ataques na Bélgica e na França que deixaram dezenas de mortos e foram assumidos pelo grupo Estado Islâmico (EI).   

Há cerca de dois anos, a Europa enfrenta a maior crise imigratória registrada desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A Itália, por ter parte de seu continente no Mar Mediterrâneo e próximo do norte da África, está entre os países que mais recebem embarcações com imigrantes. Na ilha de Lampedusa, ao sul da Itália, diariamente barcos são resgatados ou acabam afundando em travessias ilegais. Alguns acidentes já provocaram a morte de mais de 300 pessoas, o que fez o governo italiano lançar apelos de ajuda à União Europeia, exigindo que todo o bloco assumisse a responsabilidade pela crise. "Fizemos uma escolha como governo, a qual foi muito corajosa, mas que, do nosso ponto de vista, não havia outra alternativa: dissemos que salvaríamos cada vida que estivesse no mar. Nunca viramos as costas", disse Boschi, considerada uma das principais ministras do gabinete do premier Matteo Renzi. "Saber que há pessoas no mar e cruzar os braços é deixar de ser humano. A política não pode mudar nossa essência", afirmou Boschi. A ministra também garantiu que a Itália continuará resgatando imigrantes no mar, mesmo que a União Europeia reduza as verbas para as operações. "Ser humano e respeitar nossos valores significa exatamente isso: gastar seu próprio dinheiro para oferecer, no mínimo, uma sepultura digna a alguém", defendeu. "A Europa foi fundada depois da guerra e por pessoas feridas.   

Nossa geração foi a que mais aproveitou os benefícios de um continente livre de fronteiras. Por isso, não podemos trair nossos valores", comentou Boschi. Apesar dos apelos da Itália para os países europeus receberem os imigrantes e evitarem políticas nacionalistas, alguns Estados ameaçam construir muros e barragens contra imigrantes. A Áustria, vizinha da Itália, construiu um muro em Brennero para bloquear a passagem dos estrangeiros. No início do mês, o Reino Unido anunciou que financiará uma barragem em Calais, na França, para evitar que imigrantes naveguem pelo Canal da Mancha até seu território. A Hungria também ergueu um muro na sua fronteira com a Sérvia, em mais uma medida contra o fluxo de refugiados e imigrantes. (ANSA)
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