Deputado perde imunidade por ofender ex-ministra italiana

ESTRASBURGO, 25 OUT (ANSA) - O Parlamento da União Europeia cassou nesta terça-feira (25) a imunidade do eurodeputado Mario Borghezio, da legenda de extrema-direita Liga Norte, por ter feito ofensas racistas contra a ex-ministra da Integração da Itália Cécile Kyenge.   

De origem congolesa, ela comandou a pasta entre abril de 2013 e fevereiro de 2014, durante o breve governo de centro-esquerda de Enrico Letta, sendo a primeira pessoa negra a exercer o cargo de ministra no país. Mas em seu período no posto conviveu com diversos episódios de preconceito racial, frequentemente envolvendo a Liga Norte.   

No episódio em questão, ocorrido em abril de 2013, Borghezio disse que a nomeação de Kyenge, hoje sua colega no Parlamento Europeu, era uma "escolha do car..." e um "elogio à incompetência" e que ela tinha "o ar de uma dona de casa".   

Segundo ele, as críticas não foram motivadas pela cor da pele da ex-ministra, mas sim pela sua suposta inexperiência.   

Mas não ficou apenas nisso. O eurodeputado questionou também a cidadania italiana de Kyenge e afirmou que os africanos pertenciam a uma "etnia muito diferente". "Eles não produziram grandes genes, basta consultar a enciclopédia do Mickey", salientou.   

A decisão de retirar a imunidade parlamentar de Borghezio foi aprovada em plenário, no que o italiano chamou de "voto político". "Esse Parlamento entrega à Justiça um deputado culpado apenas de ter feito declarações que não agradam à maioria", declarou.   

Com isso, o representante da Liga Norte fica sujeito a processos judiciais, poucos meses depois de ter virado réu no Tribunal de Milão por "propagandear ideias fundadas no ódio racial e étnico". Por sua vez, Kyenge comemorou a decisão e disse que o racismo não pode mais ser instrumento de luta política.   

"Um membro do Parlamento Europeu que manifesta desprezo e ódio em função da cor da minha pele não ofende somente a mim, mas também os valores das instituições europeias e de todos aqueles que não reconhecem discriminação por raça, religião ou sexo", destacou a ex-ministra por meio de uma nota. (ANSA)
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