Devastado por tremor,Castelluccio é joia turística da Itália

ROMA, 31 OUT (ANSA) - Castelluccio, distrito da cidade de Norcia devastado pelo terremoto que atingiu o coração da Itália no último domingo (30), é uma joia medieval da cordilheira dos Apeninos, espécie de espinha dorsal do país.   

Com escassos habitantes, o vilarejo é conhecido há séculos pela produção das lentilhas de Castelluccio de Norcia, que têm indicação geográfica protegida e crescem nos platôs que o circundam.   

Situado a 1.450 metros de altitude, Castelluccio é a vila mais alta dos Apeninos e reina sobre um vasto planalto que todo mês de junho se transforma em um quadro colorido pelo imponente florescer de espécies como papoula, flor-de-lis e margarida.   

Durante a primavera e o verão, turistas lotam esse pequeno burgo histórico em busca de sua beleza natural e dos seus talentos agrícolas, mas também para praticar voo livre no planalto. No inverno, eles dão lugar a esquiadores com destino às pistas dos Apeninos.   

Com o terremoto de 30 de outubro, Castelluccio ficou perto de sumir do mapa. Estima-se que 60% de suas construções tenham sido destruídas, e a vila está completamente isolada, sendo possível acessá-la apenas de helicóptero ou por meio de uma precária estrada de terra.   

Do centro de Norcia, são apenas 29 km, porém percorridos em mais de duas horas por causa das condições da via. Do velho vilarejo, resta muito pouco. As casas grudadas umas às outras caíram todas, e o que não foi ao chão sofreu sérios danos estruturais.   

Cerca de 20 pessoas ainda permanecem no distrito, entre criadores, pastores e queijeiros, que passam os dias dentro de um contêiner que arrumaram sozinhos, porém o futuro é nebuloso.   

"Esse vilarejo está morto e sepultado, mas nós continuaremos a semear as flores. Não seremos nós a deixá-lo morrer definitivamente", diz o fazendeiro Adorno Pignatelli.   

Já Sandra Barcaroli, de 56 anos, nunca se afastou de Castelluccio. "Seria uma dor enorme ir embora, seria como se me tirassem um pedaço do coração", diz, enquanto olha para os campos onde, daqui a alguns meses, plantará as sementes de lentilha. O vilarejo tem menos de 20 moradores "oficiais", mas durante o verão e a primavera chega a abrigar até mil pessoas por dia.   

A energia liberada pelo terremoto de 30 de outubro levantou a colina onde fica o distrito e depois a deixou cair com toda a violência possível. O resultado é visível por todos os lados: casas derrubadas, asfalto com desníveis que chegam a um metro, montanhas de escombros.   

"Gostaria de dizer ao [primeiro-ministro] Renzi que foi o terremoto que tirou nossas casas e nos deixou fora do mundo.   

Agora querem nos levar embora, mas nós queremos ficar. Basta qualquer casinha. Porque sem nós, as flores não surgirão", diz Sandra. (ANSA)
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