Especial/Fidel Castro e seus encontros com os papas

HAVANA, 26 NOV (ANSA) - Fidel Castro, morto aos 90 anos de idade, foi um dirigente comunista convicto, mas que durante sua vida se encontrou com cordialidade com três papas católicos: João Paulo II, Bento XVI e Francisco.   

Com Karol Wojtyla, se reuniu em Cuba em 1998, em uma visita histórica do Pontífice, quando o mundo viu juntos dois dos maiores e mais carismáticos protagonistas do século 20. O encontro interrompeu décadas de tensão entre Havana e o Vaticano, iniciadas nos anos 1960 com a implantação do regime socialista por Fidel.   

Formado por jesuítas - assim como Francisco -, o ex-líder cubano e João Paulo II declararam admiração e respeito mútuos. Em 2005, quando Wojtyla morreu, aos 84 anos, Fidel decretou luto oficial e foi à sede da nunciatura apostólica em Cuba para assinar o livro de condolências e a uma missa na catedral de Havana.   

"Sua partida nos dói, inesquecível amigo, e desejamos com fervor que seu exemplo perdure", escreveu o então governante no livro de condolências. Em uma entrevista dias depois, Fidel disse que o polonês era um homem "excepcional", "lutador" e "incansável" e negou que o Papa tenha ajudado a desmontar o bloco socialista no leste europeu e tentado "derrubar a revolução".   

Entre 21 e 25 de janeiro de 1998, João Paulo II celebrou em Cuba, onde o ateísmo fora doutrina oficial até meados dos anos 1990, quatro missas públicas e pediu o fim do embargo norte-americano. "Que Cuba se abra com todas as suas magníficas possibilidades ao mundo, e que o mundo se abra a Cuba", afirmou em um discurso.   

Em sua última mensagem na ilha, foi mais além: "Nenhuma nação pode viver sozinha. Por isso o povo cubano não pode se ver privado dos vínculos com outros povos". Wojtyla ainda chamou de "injustas e autenticamente inaceitáveis" as medidas econômicas "impostas de fora do país". Fidel acompanhou atentamente a derradeira missa, que reuniu quase 1 milhão de pessoas na Praça da Revolução, moldada por uma imagem de Che Guevara e por um monumento ao herói nacional José Martí.   

"Por todas as suas palavras, inclusive aquelas com as quais eu possa estar em desacordo, em nome de todo o povo de Cuba, eu te agradeço, Santidade", disse o então presidente ao se despedir do Pontífice. Após a visita de João Paulo II, as relações entre Igreja e Estado melhoraram até certo ponto, depois permaneceram estáveis por mais de uma década.   

Com Bento XVI, que visitou Cuba em março de 2012, Fidel também conversou, embora não fosse mais presidente. "Sou velho, mas posso cumprir meus deveres", comentou Joseph Ratzinger ao cubano, quando falaram sobre idade em um encontro cordial na nunciatura de Havana. Menos de um ano depois, o alemão renunciaria.   

As relações bilaterais atingiram o clímax positivo em 2014, quando descobriu-se que Francisco havia sido o principal incentivador da reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, anunciada em 18 de dezembro de 2014 por Raúl Castro e Barack Obama. Durante uma viagem oficial, em setembro de 2015, o argentino fez uma visita de cortesia a Fidel, na qual falaram sobre a pobreza, a preservação da paz e a sobrevivência humana.   

O ex-presidente elogiou o Papa por sua capacidade de comunicação, suas mensagens públicas em defesa das causas sociais e seu compromisso com o bem da humanidade. Já Francisco agradeceu a Cuba pela sua "contribuição pela paz" em um mundo "saturado de ódio e agressões". Neste sábado (26), Jorge Bergoglio lamentou a "triste notícia da morte de seu caro irmão". (ANSA)
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