Jovem muçulmana conta como é usar véu na Itália em HQ

ROMA, 28 MAR (ANSA) - Por Elisa Pinna. "Você tem cabelo debaixo do véu? Mas você usa o véu porque está com os cabelos sujos? Você dorme com essa 'coisa'? Você toma banho com ela? Você vem da 'Muçulmânia'?". São muitas as perguntas, às vezes embaraçosas, que uma garota muçulmana que usa hijab e nasceu em um país árabe, mas que vive em uma nação ocidental desde criança, escuta todos os dias. Por isso, Takoua Ben Mohamed, de 25 anos, decidiu dar as suas respostas na história em quadrinhos autoirônica "Sotto Il Velo" ("Debaixo do Véu", em tradução literal), publicado pela editora Becco Giallo e que já se tornou um grande sucesso de vendas na Itália. A história descreve as dificuldades e os erros que uma jovem muçulmana da segunda geração, ou seja, que está em conflito com sua cultura de origem e a identidade italiana, tem que lidar cotidianamente. O livro aborda desde as situações mais leves aos problemas mais sérios de uma jovem com hijab, como os que envolvem entrevistas de emprego, quando os dirigentes de companhias nem chegam a olhar o currículo da candidata e já perguntam perplexos se a mulher irá mesmo trabalhar com "aquilo" na cabeça.   


Nos quadrinhos, a jovem aproveitou para ilustrar situações cômicas que passa todos os dias pela sua escolha de usar o véu islâmico, como quando as atendentes de uma loja de lingeries ficam surpresas ao ver uma muçulmana pedir uma roupa íntima sexy ou quando o cabeleireiro pergunta se ela tem cabelo debaixo do véu. Na obra, desenhada e escrita por Takoua, a tunisiana não esconde os problemas que tem tanto com os italianos quanto com os árabes muçulmanos. Por um lado, os primeiros a criticam por se vestir com se estivesse "na Idade Média". Já por outro, os anciões mais conservadores protestam por ela usar jeans justos, maquiagem e salto alto. "Fiquem quietos todos os 'machinhos', eu me visto como quero!", grita a protagonista da graphic novel, cheia de todos os comentários intrometidos e não desejados das pessoas. Desde criança, Takoua tinha uma grande paixão pelo desenho e pelos quadrinhos e foi seu próprio pai, um homem profundamente religioso, mas de mente aberta, a encorajá-la a colocar suas histórias na internet. O apoio foi tanto que aos 14 anos, a jovem fundou "Fumetto Intercultura", projeto para o diálogo das diversas culturas através da linguagem de HQs. (ANSA)
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