Itália lembra 25 anos de ataque que matou juiz da Mãos Limpas

ROMA E PALERMO, 23 MAI (ANSA) - A Itália prestou uma série de homenagens nesta terça-feira (23) para lembrar os 25 anos da morte do juiz Giovanne Falcone, sua esposa e mais três agentes em um atentado realizado pelo grupo mafioso Cosa Nostra.   

Falcone havia liderado a mega investigação da Operação Mãos Limpas, que inspirou a brasileira Lava Jato, e que revelou um esquema de propinas entre empresários e políticos italianos.   

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, participou de uma cerimônia especial em Palermo - onde ocorreu o assassinato - e disse que a atitude do magistrado inspira até hoje.   

"Mesmo a recordação daqueles longínquos dias de Palermo, tão dramáticos, tão escuros e tão marcados pela violência e pela dor, permanecem plenamente vívidos na Itália e no mundo. E provoca, também, horror e envolvimento, não apenas para quem o sentiu pessoalmente ou que viu isso proximamente", afirmou o mandatário.   

"O maxiprocesso que foi conduzido magistralmente, sob a base das intuições e do trabalho de Giovanni Falcone, constituiu uma virada radical na guerra do Estado contra a Cosa Nostra", acrescentou.   

Além da cerimônia oficial, há diversas outras celebrações em Palermo e em várias cidades italianas para relembrar a data.   

Milhares de estudantes partiram de Civitavecchia, por exemplo, partiram de barco até a cidade italiana para participar de eventos educativos.   

Na embarcação, estavam ainda o presidente do Senado, Pietro Grasso, a ministra da Educação, Valeria Fedeli, o procurador antimáfia, Franco Roberti e o vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura, Giovanni Legnini.   

Também estão marcadas duas passeatas para lembrar da importância de Falcone e, às 17h58 (hora italiana), será feito um minuto de silêncio pelas vítimas. Essa é a hora exata da morte do juiz e dos demais ocupantes do carro que explodiu em Palermo.   

Conhecido como "massacre de Capaci", o atentado matou o juiz Falcone, sua esposa, Francesca Morvillo, e os agentes Vito Schifani, Roco Dicilio e Antonio Montinaro.   

Em 1993, o ex-chefão da Cosa Nostra Salvatore 'Totò' Riina foi condenado à prisão perpétua pelos homicídios. Em julho do ano passado, outros quatro acusados - Salvo Madonia, Giorgio Pizzo, Cosimo Lo Nigro e Lorenzo Tinnirello - também foram condenados à perpétua por serem corresponsáveis pelo atentado.   

No dia 23 de maio de 1992, explosivos foram colocados na estrada A29, em Capaci, nos arredores de Palermo. Assim que o carro do juiz estava passando, eles foram acionados causando a explosão do veículo. (ANSA)
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