Máfia está infiltrada em 'pontos-chaves' da política italiana

ROMA, 22 JUN (ANSA) - Mesmo com uma série de prisões e condenações, os grupos mafiosos estão presentes em "todos os setores mais importantes da política, da administração pública e da economia" da Itália, revelou um relatório apresentado ao Senado nesta quinta-feira (22) pela Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo (DNA).   

Segundo o documento, a 'ndrangheta, a máfia da Calábria, está enriquecendo cada vez mais por meios "não tradicionais" desses tipos de organização que, normalmente, vivem apenas do tráfico de drogas e de crimes comuns, como sequestros e extorsões.   

De acordo com o procurador nacional Franco Roberti e com a presidente da Comissão Parlamentar Antimáfia, Rosy Bindi, tanto a 'ndrangheta como outras organizações estão se tornando quase "autoridades públicas" nas regiões onde têm mais influência.   

"Muito frequentemente, é a mesma organização mafiosa que, tendo adquirido as capacidades técnicas necessárias e as indispensáveis relações políticas, verifica qual o setor em que há possibilidade de obter financiamentos e, assim, consequentemente, endereça e coloca o dinheiro público. Trata-se da face mais grave da mesma ideia e do mesmo conceito de autonomia local", diz o relatório.   

Apesar de não existirem dados oficiais, estima-se que a 'ndrangheta tenha seis mil membros ativos na Itália e outros 60 mil espalhados por 30 diferentes países.   

- Nápoles e a Camorra: O documento aponta como única exceção à mudança do comportamento das máfias a cidade de Nápoles, berço da Camorra e de todas as históricas organizações mafiosas italianas - com exceção da 'ndrangheta. Na cidade, os "crimes comuns" ainda são a maioria, com um aumento de assassinatos de matriz mafiosa.   

No ano passado, foram 65 contra 45 registrados um ano anos. O fato ocorre "por conta dos assassinos muito jovens que se caracterizam pela particular ferocidade que demonstram e agem fora de qualquer regra" enviada pelos chefes mafiosos.   

Por conta das prisões de líderes históricos e os chefões atuais dos clãs, "abriram-se vácuos de poder para novas levas de criminosos". O resultado é "um quadro caracterizado por múltiplos focos de violência".   

No entanto, em outras cidades historicamente dominadas pelos clãs camorrísticos, "não há mais mortes" e a máfia segue a linha de se infiltrar na economia e na política para enriquecer.   

(ANSA)
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