Com 300 mil casos, Iêmen tem pior crise de cólera do mundo

ROMA, 10 JUL (ANSA) - Em guerra há dois anos, o Iêmen está enfrentando agora a maior epidemia de cólera da atualidade, com 300 mil novos casos registrados apenas nas últimas 10 semanas, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Segundo a entidade, o número corresponde a cerca de 7 mil novos casos registrados por dia no país, localizado no sudoeste da Península Arábica. A Organização Mundial da Saúde (OMS), também afirmou que mais de 1,7 mil pessoas já morreram no país devido à doença e que 41% de todos os casos foram registrados em crianças, mais suscetíveis a esse tipo de doença. No dia 24 de junho, há pouco mais de duas semanas, a OMS havia declarado que o Iêmen está enfrentando "o pior surto de cólera do mundo", com mais de 200 mil casos suspeitos. Em um período pequeno, esse número aumentou em 100 mil, o que preocupa - e muito - as organizações nacionais e internacionais.   

Ainda de acordo com as Nações Unidas, cerca de 30 mil médicos e enfermeiros do país não recebem o seu salário há 10 meses e a OMS está pagando alguns incentivos para os funcionários do setor para que seja criada uma rede que consiga enfrentar a emergência da cólera rapidamente. Além disso, devido à guerra que assola o país, mais da metade de todas as instituições médicas, entre hospitais, prontos-socorros e enfermarias, foram destruídas. O conflito civil também fez com que ao menos 14,5 milhões de pessoas no Iêmen perdessem seu acesso à água potável e a serviços de saneamento básico. Por isso, como a cólera é uma infecção intestinal causada pela ingestão de água ou de alimentos contaminados pela bactéria Vibrio cholerae, é relativamente fácil ser infectado por ela.   

O Iêmen está em conflito desde 2015, quando ocorreu uma insurreição da etnia houthi contra o governo local, acusado de discriminação pela minoria étnica. Desde então, a Península Árabe, com o apoio dos Estados Unidos, decidiu apoiar o então governo iemenita e combate os houthis. Com isso, ataques aéreos são realizados diariamente em diversas regiões do país, incluindo a capital Sanaa. (ANSA)
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