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Como estão as cidades devastadas pelos terremotos na Itália?

23/08/2017 13h23

SÃO PAULO, 23 AGO (ANSA) - Por Tatiana Girardi - No dia 24 de agosto de 2016, três pequenas cidades italianas, até então pouco conhecidas no cenário internacional, tiveram seu destino mudado para sempre: Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto.   

Por mais de uma semana, os três vilarejos ganharam as manchetes dos principais jornais do mundo devido a um terremoto de 6 graus de magnitude que deixou 299 mortos e quase 400 feridos. A cidade mais afetada foi Amatrice, que contabilizou 238 vítimas, e viu seus principais pontos turísticos e de vida social destruídos. Praticamente nada ficou em pé depois daquele dia 24 - e o que resistiu ao primeiro tremor acabou desmoronando nas réplicas que vieram a seguir. Um dos sinais mais evidentes do "problema" a ser gerenciado continua a existir mesmo 365 dias após a tragédia: a enorme quantidade de escombros, em uma mistura de pedra e cimento, que ainda se acumula pelas ruas da cidade. Recentemente, em uma visita a Amatrice, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, informou que um novo acordo com a região do Lazio deve por fim aos sedimentos que pertencem, em sua totalidade, aos restos de residências e prédios privados.   

A queda de tantos prédios, inclusive, é alvo de uma investigação criminal porque muito do que desabou tinha sido reconstruído há pouco tempo, respeitando, justamente, os novos parâmetros arquitetônicos para aguentar os abalos sísmicos. Em julho, cinco pessoas se tornaram réus na investigação, incluindo funcionários públicos da província de Rieti e da empreiteira responsável por algumas obras na cidade. Mas, aos poucos, a pequena comuna de pouco mais de 2,6 mil habitantes tenta voltar à vida.   

No fim do mês passado, foi inaugurado um "polo gastronômico" para voltar a atrair os turistas para a cidade que criou o famoso molho à matriciana, feito com diversos produtos da região central da Itália. A "Area Food" conta ainda com o "Restaurante Roma", que pertencia ao hotel homônimo que foi ao chão no dia do terremoto.   

Autoridades locais ainda estão elaborando um plano para a "Amatrice do futuro", que quer tornar a cidade uma "smart city, com as mais modernas tecnologias" sem esquecer de seu passado medieval. A ideia é que as obras já comecem no mês que vem.   

A cidade ainda prevê a construção de um novo hospital e de uma nova escola.   

Já Accumoli e Arquata conseguiram se recuperar de maneira um pouco mais rápida, já que a extensão de seus danos foram menores que queles que ocorreram em Amatrice.   

No entanto, a primeira também sofre com o excesso de dejetos e escombros de prédios restantes na cidade. Para tentar eliminar o problema, uma licitação pública firmou um acordo com uma associação de empresas que se comprometeu a usar 40 caminhões por dia para retirar o excesso de material da cidade e dar uma destinação correta a ele.   

Outro ponto ainda visível da tragédia é a presença de milhares de voluntários nas cidades afetadas. De acordo com uma estimativa da Proteção Civil, cerca de 13 mil pessoas pertencentes a 40 grupos atuaram na região desde o início da tragédia.   

Mas, a própria entidade reconhece que o número é bem menor do que a quantidade de pessoas que, de fato, se dispuseram a prestar ajuda. Isso porque muitas delas não pertencem a nenhuma organização ou moram em comunas próximas, não sendo contabilizadas de maneira oficial.   

- Casas temporárias: Além das montanhas de detritos, outro problema grave e urgente que ainda não foi totalmente contornado é a distribuição das casas para aqueles que perderam tudo. Além dos fortes tremores de agosto nas três pequenas comunas, a região central da Itália foi abalada por diversos sismos muito intensos até outubro, que aumentaram a quantidade de danos e de mortos (que ultrapassam 330).   

Entre as regiões de Lazio e Marcas, foram entregues 550 unidades das chamadas "Soluções Habitacionais de Emergência" (SAE, na sigla em italiano), sendo a maioria delas entregues para aqueles que perderam suas casas em agosto do ano passado.   

Com tamanhos entre 40 e 80 metros quadrados, as SAEs são adaptadas a qualquer condição climática e, obviamente, tem resistência contra terremotos, com uma boa "gestão energética", podendo ser montadas e desmontadas de acordo com as necessidades.   

De acordo com os dados oficiais, há 724 ordens de construção em Amatrice e Accumoli, sendo que 511 alojamentos (365 em Amatrice e 146 em Accumoli) foram entregues às famílias que fizeram os pedidos. Ainda faltam 15 SAEs a serem entregues em Amatrice e outras 52 em Accumoli.   

Além disso, os agricultores e produtores de gado bovino e ovino na região já receberam 144 estruturas para cuidar de seus animais. Ainda são previstos mais 50 "vilas urbanizadas", 33 das quais já foram entregues. Outros 52 pontos de comércio (dos 90 planejados) foram entregues para quatro áreas novas criadas nas duas cidades. Ao todo, Amatrice terá 79 desses pontos e Accumoli terá outros 11. (ANSA)
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