Especial/Quem é quem nas eleições na Itália? (2)

SÃO PAULO, 28 DEZ (ANSA) - Pietro Grasso - Ex-membro do PD, o presidente do Senado, de 72 anos, liderará uma coalizão de esquerda formada por partidos que nasceram de dissidências da legenda de Renzi. Grasso é o segundo na hierarquia do Estado desde 2013 e trabalhou como procurador nacional antimáfia entre 2005 e 2012.   

Apesar de ser septuagenário, ele tem uma curta trajetória na política e cultiva a imagem de "homem das instituições" - Grasso chegou a ser cogitado como primeiro-ministro para aplacar a crise gerada pela renúncia de Renzi.   

Sua saída do PD se deu por divergências em relação à reforma eleitoral patrocinada pela sigla e com seu "modus operandi" no Parlamento - nos projetos mais importantes, a legenda, sob comando de Renzi, sempre apelava para o "voto de confiança", que impede a apresentação de emendas e restringe o debate parlamentar.   

Sua coalizão, a Livres e Iguais (LeU), com menos de um mês de vida, já tem cerca de 7% das intenções de voto, apoio que é roubado justamente do PD. Se Grasso se sair bem nas urnas, é provável que Renzi tenha menos chances de voltar ao governo, a não ser que consiga costurar uma aliança com os dissidentes.   

Silvio Berlusconi - Inelegível até 2019, o ex-primeiro-ministro conservador de 81 anos pode ter papel determinante em 2018. Seu partido, o Força Itália (FI), é o terceiro ou quarto mais popular do país, dependendo da pesquisa. Ainda não se sabe quem será o candidato do FI a chefe de governo, mas Berlusconi já ventilou o nome do general Leonardo Gallitelli, ex-comandante da Arma dos Carabineiros e que nunca exerceu cargos políticos.   

No entanto, se a Corte Europeia de Direitos Humanos reverter sua inelegibilidade antes de 4 de março - o julgamento já foi feito, falta apenas a sentença -, o próprio Berlusconi poderia pleitear a poltrona de primeiro-ministro, caso seu partido vença. No ano que vem, o Força Itália tentará superar a Liga Norte para ganhar o direito de liderar uma eventual aliança da direita.   

Paolo Gentiloni - O discreto primeiro-ministro de 63 anos ficará no poder até que um novo governo seja criado, mas não deve concorrer a nenhum cargo nas eleições. Apesar de, segundo as pesquisas, Gentiloni ser a liderança política na qual a população mais confia, ele pertence ao PD, partido dominado pelas pretensões de Renzi.   

Contudo, começam a surgir rumores de que alguns grupos estariam pressionando o ex-primeiro-ministro a ceder a candidatura para seu sucessor e, assim, estancar a queda do partido nas sondagens. O nome de Gentiloni também pode ganhar força caso ninguém consiga formar uma aliança após as eleições, já que seu perfil institucional seria mais aceitável para os dissidentes do PD e para a centro-direita.   

Sergio Mattarella - Na Itália, o presidente da República é escolhido pelo Parlamento, e seu mandato não estará em jogo em 2018. No entanto, apesar de ter um papel mais institucional e afastado do dia a dia do jogo político, Mattarella ganhará importância caso a fragmentação prevista pelas pesquisas se confirme.   

Cabe ao chefe de Estado designar o primeiro-ministro, baseado no resultado das urnas. Se nenhum partido tiver uma maioria clara, ele escolherá aquele que se mostrar mais capaz de formar um governo de coalizão. Em março de 2013, após o secretário do PD na época, Pier Luigi Bersani, fracassar nas negociações, o então presidente Giorgio Napolitano encarregou o segundo na hierarquia do partido, Enrico Letta, pouco conhecido entre os italianos, ignorando os apelos do M5S, segundo partido mais votado.   

Por conta disso, Napolitano virou "persona non grata" no movimento. (ANSA)
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